(dp) State Department

O secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, e o ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi

A China advertiu esta sexta-feira que “um conflito pode rebentar a todo o momento” na Coreia do Norte, depois das novas ameaças dirigidas pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, ao governo de Pyongyang.

O alerta foi feito em conferência de imprensa pelo ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, depois de Donald Trump ter dito na quinta-feira que a Coreia do Norte é um “problema” que “será tratado”.

O chefe da diplomacia chinesa defendeu que “o diálogo é a única saída possível” para o conflito n península da Coreia, no decorrer de uma conferência de imprensa conjunta com o homólogo francês, Jean-Marc Ayrault.

Wang Yi considerou que quem quer que desencadeie um conflito na península coreana “deverá assumir a responsabilidade histórica e pagar o preço“.

“No dossier nuclear norte-coreano, o vencedor não será aquele que tiver as propostas mais duras ou que mostrar mais os músculos. Se ocorrer uma guerra, o resultado será uma situação em que ninguém sairá vencedor“, alertou o ministro chinês, sem se referir diretamente às ameaças do Presidente norte-americano.

Na quinta-feira, Trump abordou a situação na Coreia do Norte depois de os EUA terem largado no Afeganistão a “mãe de todas as bombas”, a sua maior bomba não-nuclear , aquele que é o mais potente dispositivo convencional do arsenal norte-americano.

A Coreia do Norte é um problema, o problema será tratado”, afirmou Donald Trump, que na semana passada esteve reunido com o Presidente chinês, Xi Jinping. Este domingo, Washington enviou um porta-aviões para águas próximas do país.

China apela ao diálogo

Pequim pediu contenção, enquanto Pyongyang ultima os detalhes para as celebrações do aniversário do nascimento do fundador do país, este fim de semana, quando se teme que possa realizar um teste nuclear.

“A China opõe-se sempre com firmeza a qualquer ação suscetível de aumentar as tensões”, afirmou Wang Yi, assinalando que, nesta crise, “o vencedor não será o que faça afirmações mais duras ou exiba mais músculo”.

Wang Yi recordou o dizer chinês “as oportunidades estão sempre nas crises”, para afirmar que o agravamento da tensão devolve atualidade à proposta chinesa de que todas as partes suspendam os ensaios, manobras e atividades militares, como um passo prévio para retomar o diálogo.

kremlin.ru / Wikimedia

O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi

“Esta é a oportunidade que devemos de procurar e aproveitar”, disse Wang, sublinhando que Pequim está disposto a “escutar qualquer proposta útil”.

Geng Shuang, porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros, considerou hoje que um teste nuclear por parte de Pyongyang seria “perigoso e irresponsável”.

A China, o principal aliado internacional do regime norte-coreano, é responsável por 90% do comércio da Coreia do Norte. Pequim teme que a queda do regime desencadeie uma onda de refugiados para a China e um reforço da presença de tropas norte-americanas na sua fronteira.

Rússia pede contenção

Também a Rússia, “muito preocupada” com o ressurgimento de tensões na Coreia do Norte, exortou hoje todas as partes a conterem-se e evitar qualquer ação que possa ser interpretada como uma “provocação”, anunciou o Kremlin.

O apelo da Rússia surge após as novas ameaças dirigidas pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, ao governo de Pyongyang.

Moscovo está a acompanhar com grande preocupação as tensões crescentes na península coreana. Apelamos a todos os países para mostrar moderação e evitar qualquer ação que possa ser interpretada como uma provocação”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, aos jornalistas.

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