O Governo quer alargar o prazo de pagamento das portagens nos CTT de 5 para 30 dias. A medida, que pretende evitar que pequenas multas esquecidas ou não notificadas escalem para valores astronómicos, está a ser estudada para avançar este ano.
O governo vai rever este ano o processo de cobrança das portagens nas antigas SCUT – auto-estradas sem custos para o utilizador, para evitar que pequenos montantes sem pagamento cheguem à Autoridade Tributária para cobrança coerciva em processo de execução fiscal e se transformem rapidamente em dívidas astronómicas.
Segundo revela este sábado o jornal Público, o executivo que aumentar de cinco para 30 dias úteis o prazo inicial de pagamento junto dos CTT. Embora os 30 dias sejam ainda apenas uma hipótese, os condutores terão mais tempo para pagar, faltando definir o período exacto, soube o jornal junto de uma fonte do Governo.
Além deste alargamento, que “não resolve todos os problemas que se têm colocado”, o governo prepara outros ajustes para simplificar o pagamento das taxas de circulação não liquidadas. O dossier está a ser trabalhado entre os ministérios das Infra-estruturas, Finanças e Coesão Territorial.
A ideia do governo não é reduzir o montante das coimas, “mas antes actuar a montante”, evitando que os contribuintes sejam surpreendidos com processos de cobrança coerciva – quer por não terem conseguido pagar, que por eventual falha na notificação das operadoras.
Desde 2012, os contribuintes têm 5 dias úteis, após 48 horas desde que passaram pela portagem, para se deslocar a um posto dos CTT ou equivalente e proceder ao pagamento das taxas de circulação.
Mas o processo, que apresenta falhas frequentes, provocou um aumento do número de coimas, que por vezes atingem valores astronómicos, e multiplicou os processos de execução nos tribunais.
Cada taxa de portagem não paga pelo contribuinte, mesmo que por poucas horas, dá origem a um processo autónomo por parte da concessionária e, numa segunda fase, a um processo por parte da administração fiscal. A falta de pagamento de taxas de portagens de alguns euros pode então dar origem a dívidas de centenas ou milhares de euros
.“Às vezes chego ao quiosque para pagar e ainda não está no sistema, passado uns dias chego lá e já não posso pagar”, explica um contribuinte ouvido pelo ZAP. “A certa altura deixei portagens de uns poucos euros por pagar, e fui notificado várias vezes sem saber. Ao todo, paguei mais de 1200 euros por taxas de uns 30 ou 40 euros“, explica.
Após os 5 dias úteis em que a taxa deve ser paga nos CTT ou lojas Payshop, seguem-se 8 dias em que o sistema já não permite efectuar o pagamento, cabendo nesse período às concessionárias das auto-estradas notificar o condutor de que tem 30 dias para regularizar a dívida.
Mas se por algum motivo — erro na morada, alteração de residência, extravio de correspondência, mudança de propriedade do veículo — o contribuinte não for notificado, o processo segue para a AT e entra em cobrança coerciva, originando (entre taxas, coimas, custos administrativos e custas processuais) dívidas desproporcionais.
Em 2018, as portagens renderam três milhões de euros por dia às concessionárias – cerca de cerca de 1114 milhões de euros, mais 79 milhões de euros do que em 2017. ATé junho de 2019, as receitas com portagens cresceram 6,4 milhões.
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Se as empresas são privadas e os lucros privados porque raio andam as finanças/estado armados em cobradores do fraque?
As empresas é que devem de ter agentes de cobrança e recorrer aos tribunais em casos de incumprimento.
As empresas deviam ter cobradores nas auto estradas ou portagens electronicas estrangeiros que cá vem passear se forem embora e não pagarem ninguém vai atrás deles o que cria uma situação injusta para os nacionais.
Se um português for imigrante e usar a auto estrada antes de ir embora quem paga se ele não está cá e não tiver ninguém para ir pagar por ele?
As empresas deviam ser obrigadas a ter portageiros!