Miguel A. Lopes / Lusa
A resolução do Parlamento Europeu que condena em termos iguais o nazismo e o comunismo extremou esta sexta-feira as posições na Assembleia da República.
A direita acusou a esquerda de ter duas medidas para avaliar as violações dos direitos humanos, consoante a cor política dos regimes e a esquerda devolveu a acusação, colando o PSD e CDS aos “reacionários” da Iniciativa Liberal e do Chega.
Dos cinco votos em cima da mesa, de acordo com o Diário de Notícias, apenas o dos socialistas foi aprovado, com o voto das bancadas da direita, do BE e do PAN, além do próprio PS. PCP, PEV e Chega votaram contra.
O CDS abriu a discussão, com Telmo Correia a afirmar que os centristas têm um “critério único” sobre direitos humanos, que não se altera “consoante se trate de tiranetes amigos ou de governantes de direita ou centro direita”. Classificando Hitler, Mussolini, Mao Tse Tung ou Pol Pot como um “conjunto de assassinos”, o deputado do CDS defendeu que “todo o totalitarismo é inaceitável”.
Já o deputado do PSD Maló de Abreu referiu que “não há bons e maus” regimes totalitários e que “não é escondendo o passado que se enfrentam ou resolvem os problemas do presente”.
O PCP, pela voz do líder parlamentar, João Oliveira, defendeu que está a tornar-se “cada vez mais claro que PSD e CDS estão a cobrir por cima” as iniciativas “reacionárias” da Iniciativa Liberal e do Chega.
O deputado afirmou que estas “não contam nas suas fileiras com gente que tenha lutado contra o antifascismo”, ao contrário do que sucede no PCP. “Durante 48 anos não nos deixámos atrapalhar pela agressividade dos fascistas, não é agora que nos vamos deixar atrapalhar por esta gente”, rematou.
O debate sobre a resolução do Parlamento Europeu que condenou o comunismo e o nazismo chega esta sexta-feira à Assembleia da República, em Lisboa. De acordo com o Observador, de um lado, os partidos mais à direita do parlamento, a Iniciativa Liberal, o CDS e o Chega aprovam a condenação europeia. O PS condena todo e qualquer regime autoritário, sem menção ao comunismo. Mais à esquerda, o PCP condena e protesta.
A Iniciativa Liberal, que conta com o voto único de João Cotrim Figueiredo, foi o primeiro partido no país a apresentar uma proposta que saúda a condenação europeia. O CDS, que apresenta uma “condenação de todos os regimes totalitários, desde logo os de inspiração fascista, nazi e comunista”. O Chega, de André Ventura, que aprova a decisão dos eurodeputados que repõe “a mais elementar justiça histórica” embora “tardia”.
No lado oposto, está o PCP que condena e protesta face à “falsificação histórica do documento” de caráter “anti-comunista”.
Já os Socialistas apontam para uma preocupação mais direcionada à efetiva preservação da memória histórica, que consta no título da resolução e preferem abster-se de julgamentos num texto que procura “um consenso alargado em torno da condenação de todos os atos de agressão, da prática de crimes contra a humanidade e de violações de direitos humanos perpetrados por regimes totalitários ao longo do século XX”, mas que não deixa nunca de referir a verdadeira ameaça, “a crescente aceitação de ideologias radicais e o retorno ao fascismo, ao racismo, à xenofobia e a outras formas de intolerância na União Europeia”.
A 19 de setembro, o Parlamento Europeu aprovou uma resolução que condena o nazismo e o comunismo aos olhos da política europeia, com 535 votos a favor, 66 contra e 52 abstenções.
Sob o título “Importância da memória europeia para o futuro da Europa”, que parece não gerar discórdia, estão informações como: “Os regimes nazi e comunista são responsáveis por massacres, pelo genocídio, por deportações, pela perda de vidas humanas e pela privação da liberdade no século XX”, e “crimes contra a humanidade e as violações em massa dos direitos humanos perpetrados pelos regimes nazi e comunista e por outros regimes totalitários” — o que reacendeu uma velha controvérsia que remonta ao século XX.
De acordo com o Diário de Notícias, o texto foi aprovado pelos eurodeputados portugueses do PS, PSD, CDS e PAN. PCP e Bloco de Esquerda votaram contra. O grupo parlamentar da Esquerda Unitária emitiu um comunicado condenando “as tentativas de usar o 80.º aniversário do início da 2ª Guerra Mundial como desculpa para disputas políticas fúteis e revisionismo histórico”.
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Mas não foi nenhum desses "assassinos" que atirou 2 bombas atomicas para cima de civis e inocentes pois não? Bem me parecia.