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O Estado poderá ter de reduzir a comparticipação de medicamentos num cenário de “contínuo crescimento das quantidades consumidas”, estima um estudo do Banco de Portugal hoje divulgado.
Intitulado “Uma análise do mercado do medicamento em Portugal”, o artigo acompanha o desenvolvimento do mercado dos fármacos de ambulatório, ao longo da última década, concluindo que houve um “crescimento contínuo das quantidades transacionadas”.
De acordo com o Banco de Portugal, num cenário em que continua a aumentar o consumo de medicamentos, “a pressão sobre as contas públicas poderá obrigar a uma passagem de custos para os pacientes, através da queda das comparticipações”.
“No futuro, num cenário de contínuo crescimento das quantidades consumidas, existe incerteza sobre até que ponto será possível o prosseguimento do controlo da despesa centrada na combinação da análise da oferta de tratamentos com a revisão do seu preço e do lucro dos operadores”, indica o artigo hoje divulgado, no Boletim Económico de outubro.
O estudo destaca “o crescimento das quantidades [de medicamentos] transacionadas”, sobretudo a partir de 2005, a par de uma redução dos preços
resultante de intervenção legislativa.“As políticas do medicamento (…) parecem ter conseguido um controlo da despesa com medicamentos dispensados em ambulatório sem pôr em causa o nível da sua provisão”, refere o artigo.
Neste processo, é destacado o papel dos genéricos, já que as reduções de preços mais significativas foram registadas nas substâncias ativas onde os genéricos estão presentes.
O artigo sublinha ainda que, na década analisada, não se deteta uma tendência de aumento do preço suportado pelo doente.
De acordo com os autores, a análise comportamental aos consumidores permite perceber que as variações de preços nos medicamentos “não tenderão a implicar alterações importantes” na quantidade de remédios procurada pelos utentes.
/Lusa
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