European Parliament / Flickr

Frans Timmermans, vice-Presidente da Comissão Europeia

O Reino Unido foi “desnecessariamente prejudicado” pelo ‘Brexit’ e mais danos estarão para vir, escreveu esta quinta-feira o primeiro vice-presidente da Comissão Europeia, Frans Timmermans, numa assinada no Guardian.

Em “A minha carta de amor ao Reino Unido: os laços familiares nunca podem realmente ser cortados”, Timmermans afirmou que o país “será sempre bem-vindo” e que a partida a 31 de janeiro fá-lo sentir-se um “velho amante” abandonado, noticiou o Expresso.

Timmermans revelou que começou a gostar do Reino Unido e do caráter do seu povo quando frequentou a escola britânica de Saint George, em Roma. Segundo o próprio, o ceticismo britânico quanto ao projeto europeu constituiu sempre uma verificação saudável das ambições mais federalistas ao longo das décadas.

“Conheço-te agora. E amo-te. Por quem tu és e por aquilo que me deste. Sou como um velho amante. Conheço as tuas forças e fraquezas. Sei que podes ser generoso mas também avarento. Sei que acreditas que és único e diferente. E é claro que o és de várias formas, mas talvez menos do que pensas”, escreveu.

E continuou: “Nunca vais deixar de te referir a nós como ‘o continente’. Isso ajuda-te a criar uma distância de que pensas que precisas. Mas também te impede de ver que, na realidade, todos precisamos de um pouco de distância entre nós. Todas as nações europeias são únicas. As nossas diferenças são uma fonte de admiração, surpresa, desconforto, mal-entendidos, escárnio, caricatura e, sim, amor”.

O responsável indicou igualmente que a decisão do ex-primeiro-ministro britânico David Cameron de realizar o referendo sobre o ‘Brexit’ em 2016 foi desnecessária. “Estavas dividido sobre isso, como sempre estiveste dividido quanto à União Europeia (UE). Gostaria que tivesses continuado assim – serviu-te bem e manteve-nos a todos em melhor forma”.

“Era necessário forçar o problema? De modo nenhum. Mas fizeste-o. E o mais triste é que vejo que isso te está a magoar. Porque a divisão continuará, mesmo depois de partires. Nesse processo, muitos danos desnecessários foram causados, a ti e a todos nós. E temo que mais virão”. Mas o Reino Unido “será sempre bem-vindo de volta”, concluiu.

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