A Comissão Europeia terá ocultado registos de email e de cartas que atestavam a alegada proximidade entre Durão Barroso e o Goldman Sachs, numa altura em que o político português era ainda presidente da instituição europeia.

O Público revela que a Comissão Europeia (CE) “omitiu documentos” sobre o relacionamento entre Durão Barroso, quando foi presidente da instituição, e elementos do Goldman Sachs.

O diário avançou há dias a existência de documentos comprometedores para o político português, no âmbito da polémica da sua contratação por parte do Banco de Investimento, citando onze cartas e emails que lhe terão sido enviadas pela CE.

Mas afinal, além dessa documentação, a CE teria ainda na sua posse outros documentos que atestavam a relação entre Durão e o banco.

Um dado que o Público confirma pelo facto de a organização não-governamental Corporate Europe ter tido acesso a outros emails e cartas, também enviadas pela CE, “revelando convites e aproximações que não constavam dos documentos” a que o jornal teve acesso.

O diário cita “nove emails que se referem a encontros e pedidos do Goldman Sachs a Durão Barroso” que não lhe terão sido enviados pela CE, apesar de o jornal e de a ONG belga, que supervisiona lobbies na política da União Europeia, terem efectuado o pedido pela documentação na mesma altura.

Há em particular um convite feito para “um encontro a sós entre Barroso e Lloyd Blankfein, CEO do Goldman Sachs, sugerido para os dias 11 ou 12 de Outubro de 2013, em Nova Iorque”, escreve o Público.

“Se for possível gostaríamos de o acolher no Hotel Ritz Carlton (1150, Rua 22)”, pode ler-se no mesmo email.

“Os 11 documentos que [o Público] recebeu dizem respeito a todos os documentos encontrados que dizem respeito a reuniões em que o Sr. Barroso ou o seu gabinete mantiveram com o Goldman Sachs”, justifica a CE, contactada pelo jornal.

“Os documentos do outro requerente [a ONG belga] são trocas de correspondência que dizem respeito a reuniões em que o Sr. Barroso e o seu gabinete não asseguraram a sua presença”, adianta a mesma fonte.

Um argumentação que o jornal considera “frágil”, já que “não há nenhuma prova de que todos os convites dirigidos pelo Goldman Sachs que constam dos documentos a que o Público teve acesso tenham, de facto existido” e uma vez que a CE “também não consegue explicar como chega a esta conclusão”.

Entretanto, Durão Barroso volta a repetir no diário que “se enquadra naturalmente nas competências e deveres do presidente da Comissão a realização de contactos com entidades externas”.

Desminto categoricamente qualquer contacto ou relação especial com qualquer entidade financeira durante o exercício dos meus mandatos na Comissão”, diz ainda o ex-presidente da CE.

ZAP