World Economic Forum / Flickr

O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble

Portugal foi avisado que precisaria de um plano B já desde o Eurogrupo de fevereiro, tendo até ao fim de abril para apresentar medidas adicionais no valor de cerca de 700 milhões de euros.

“Portugal vai ter de apresentar novas medidas, isso ficou claro, preto no branco, no Eurogrupo de fevereiro”, afirmou uma fonte comunitária ao Diário Económico.

“O Governo escolheu comunicar da forma que escolheu, mas a Comissão Europeia e o Eurogrupo deixaram sempre muito claro que não era uma questão de se, foi sempre uma questão de quando“, acrescenta.

A questão das medidas adicionais colocou-se primeiro na terça-feira de Carnaval, a 9 de fevereiro, na reunião do Eurogroup Working Group onde os braços-direitos dos ministros das Finanças do euro preparam a reunião do Eurogrupo (que aconteceria dois dias depois).

De acordo com o Observador, esta exigência de um plano B orçamental de Portugal foi feita por insistência da Alemanha, com o apoio de Holanda e da Áustria, numa altura em que as preocupações em relação a Portugal já tinham sido suscitadas.

O Diário Económico explica que Portugal precisa agora de apresentar até final de abril medidas adicionais no valor de cerca de 700 milhões de euros, para que o Orçamento não seja chumbado na avaliação final, em Maio.

As medidas adicionais sempre foram assumidas como obrigatórias do lado dos parceiros europeus, que colocam em Lisboa o ónus da confusão que se instalou após o Eurogrupo desta segunda-feira, quando o comissário para a Economia, Pierre Moscovici, explicou que Lisboa terá mesmo de apresentar medidas.

Fonte próxima do Eurogrupo explicou que Moscovici “limitou-se a dizer o que já estava no comunicado anterior. Está a criar-se uma situação sobre uma coisa que nem foi tema na reunião de segunda-feira”.

“As medidas que foram negociadas em fevereiro serviram para evitar a bomba atómica, que era a Comissão ter enviado logo para trás o documento”, explica outra fonte ligada às negociações, “mas deixou-se claro que o Orçamento está em risco de incumprimento e esse risco só é evitado com mais medidas”.

ZAP