António Cotrim / Lusa

O Governo deu ordem para parar as negociações com as famílias dos recrutas que morreram durante o 127.º Curso de Comandos, que decorreu na região de Alcochete, em 2016.

Segundo o Jornal de Notícias, o Governo travou, no último trimestre do ano passado, a negociação a que dera início para o pagamento de indemnizações às famílias dos recrutas mortos durante a chamada “Prova Zero” do 127.º Curso de Comandos, em 2016.

A intenção do Estado é esperar pelo final do julgamento, que já teve início há mais de um ano e não tem data para terminar. Ao jornal, o Ministério da Justiça respondeu que, se houver um acordo, irá ponderar se “a transação deve ou não ser autorizada”, “à luz do interesse público”.

Em declarações ao diário, o advogado das famílias das vítimas, Ricardo Sá Fernandes, diz que esta é uma decisão “lamentável”.

“Noutras situações que conhecemos desta natureza — como Pedrógão Grande

—, o Estado sempre avançou, independentemente da responsabilidade criminal, por entender que, mesmo que não haja responsabilidade criminal, há o funcionamento do sistema em geral que falha”, frisa o advogado.

Hugo Abreu, instruendo de 20 anos, morreu durante a “Prova Zero”, que decorreu a 4 de setembro de 2016, devido a um “golpe de calor”. Uma semana depois, outro instruendo com a mesma idade, Dylan da Silva, faleceu no Hospital Curry Cabral. Vários outros instruendos sofreram lesões graves e tiveram de ser internados.

Segundo a RTP, as famílias destes dois militares, assim como de um outro que ficou ferido, exigem, no total, mais de 740 mil euros de indemnização.

[sc name=”assina” by=”ZAP” ]