Quatro colégios privados do grupo GPS receberam 66 milhões do Ministério da Educação, relativos a contratos de apoio financeiro do Estado, devido à alegada influência e às supostas luvas pagas ao ex-secretário de Estado adjunto e da Educação, José Manuel Canavarro, e ao antigo director regional de Educação de Lisboa, José de Almeida.

Estes dados constam do despacho de acusação do Ministério Público, no âmbito da investigação ao Grupo GPS, a que o Público teve acesso.

Entre 2005 e 2013, quatro colégios do Grupo GPS, em Mafra e nas Caldas da Rainha, receberam mais de 66 milhões de euros de fundos públicos devido à intervenção do ex-secretário de Estado adjunto e da Educação, José Manuel Canavarro, e do antigo director regional de Educação de Lisboa, José de Almeida, conforme alega o MP.

Estes dois elementos, que são arguidos por corrupção passiva na investigação judicial ao caso, terão usado os respectivos cargos públicos para beneficiar o Grupo GPS em troca de cargos remunerados.

O MP alega que José Manuel Canavarro recebeu cerca de 220 mil euros como consultor do Departamento Pedagógico do grupo, entre 2005 e 2011, e que José de Almeida amealhou mais de 68 mil euros

entre 2005 e 2009.

O despacho de acusação alega que Canavarro e Almeida deram “rápido seguimento aos pedidos formulados pelos colégios GPS, para que o núcleo fundamental das decisões fosse adoptado antes de cessarem as funções exercidas”.

Os contratos de associação firmados com o Grupo GPS tiveram aval logo a seguir à dissolução do Parlamento decretada pelo então Presidente da República, Jorge Sampaio, que levou à queda do Governo de Santana Lopes.

Além de Canavarro e de Almeida, são também arguidos no caso, cinco administradores do grupo GPS, designadamente António Calvete, António Madama, Manuel Madama, Fernando Catarino e Agostinho Ribeiro, que enfrentam acusações por crimes de corrupção activa.

Os cinco administradores terão usado em benefício próprio, para pagar jantares e cruzeiros, cerca de 30 milhões de euros de fundos públicos pagos pelo Estado ao Grupo GPS.

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