“É uma decisão estúpida”, diz Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia
A União Europeia prepara medidas de retaliação contra empresas norte-americanas, depois de o presidente Donald Trump ter anunciado esta semana uma subida das taxas sobre as importações de aço e alumínio para os Estados Unidos.
Classificando esta sexta-feira a decisão como “estúpida”, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, prometeu responder na mesma moeda.
“Então agora nós vamos também impor taxas. É basicamente um processo estúpido, o facto de termos que fazer isso. Mas temos que fazer. Vamos agora impor taxas sobre as motos Harley Davidson, subir os impostos sobre os jeans da Levi’s, aumentar as taxas sobre o whiskey norte-americano. “Também podemos fazer coisas estúpidas. Também temos que ser assim estúpidos“, declarou Juncker.
A reacção de Juncker surge depois de na quinta-feira o presidente norte-americano ter anunciado a intenção dos Estados Unidos de taxar as importações de aço em 25% e de alumínio em 10%.
Para o presidente dos Estados Unidos, que se propõe blindar os produtores do seu país “pela primeira vez em muitos anos”, o que tem acontecido nas últimas décadas “é vergonhoso”.
Segundo Trump, a medida serviria para proteger a indústria siderúrgica americana. “Sim, é uma guerra económica. Uma guerra económica é fácil de fazer e fácil de ganhar“, comentou Donald Trump no seu perfil no Twitter.
As declarações do presidente norte-americano despertaram a indignação dos principais líderes governamentais europeus e representantes do comércio internacional. Esta sexta-feira, o presidente da Comissão Europeia tinha já adiantado que a UE não ficaria de “braços cruzados, enquanto a indústria e os empregos europeus são ameaçados”.
Os Estados Unidos, que importa anualmente mais de 30 milhões de toneladas de aço, é o maior importador de aço do mundo. Canadá, Brasil, México e Coreia do Sul representam 50% destas importações.
Se a decisão de Trump for concretizada, os analistas económicos prevêem que possa vir mesmo a explodir uma guerra comercial
, suscitando reacções em cadeira por parte de parceiros comerciais dos americanos.O Canadá, maior exportador de aço para os EUA, está furioso. Os dois países fazem parte do NAFTA, acordo de livre comércio que proíbe este tipo de medida proteccionista, do qual também também faz parte o México.
O governo do Brasil, segundo maior exportador de aço para os EUA, com 13% do valor importado pelos EUA, adiantou que não descarta adoptar “acções complementares, no âmbito multilateral e bilateral, para preservar os seus interesses”.
De acordo com uma nota do Ministério do Desenvolvimento, Comércio Exterior e Serviços do Brasil, a restrição comercial afectará as exportações brasileiras e pode levar a que o país conteste a decisão nos organismos internacionais.
Também o sector metalúrgico e metalomecânico português, que em 2017 bateu o recorde de sempre de exportações, com 16,5 mil milhões de euros vendidos para todo o mundo, seria afectado por um aumento das taxas de importações de aço para os EUA.
Em declarações à Lusa, o vice-presidente da Associação dos Industriais Metalúrgicos Metalomecânicos e Afins de Portugal, Rafael Campos Pereira, admitiu que para o sector, que o ano passado aumentou 37% para os 534 milhões de euros as exportações para os EUA, “a medida seria decepcionante“.
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já estamos habituados ...