Mário Cruz / Lusa

Ricardo Salgado, ex-presidente do BES

A agenda pessoal de Ricardo Salgado, ex-presidente do BES, tem uma nota misteriosa com a palavra submarino que será uma referência ao negócio feito pelo Estado português para a compra de dois submergíveis a um consórcio alemão.

O código misterioso “Pacote 100M € xxx submarinos” surge numa nota de 18 de Novembro de 2013 às 13 horas, na agenda pessoal de Ricardo Salgado, conforme reporta o Correio da Manhã (CM).

O Ministério Público (MP) apreendeu a agenda pessoal de Salgado em Dezembro de 2014, no âmbito do caso Grupo Espírito Santo (GES), depois de buscas feitas a escritórios do ex-banqueiro.

A agenda de 30 páginas foi passada a pente fino pelo MP e inclui nomes de políticos e empresários que Salgado terá contactado ao longo de 2013.

A referência misteriosa alusiva aos submarinos surge numa data próxima da reunião do Conselho Superior (CS) do GES, que ocorreu a 7 de Novembro de 2013, onde Salgado referiu que a família Espírito Santo ficou com uma comissão de cinco milhões de euros e que os administradores da Escom, a empresa do GES que intermediou a compra dos submarinos, ficaram com 15 milhões no âmbito do negócio.

Já em Dezembro de 2014, na Comissão Parlamentar de Inquérito ao BES/GES, Salgado assumiu que “o montante recebido é superior aos cinco milhões de euros referidos”.

Nessa ocasião, o ex-banqueiro também notou que a administração da Escom lhe garantiu que “não foram pagas comissões a ninguém da área política”.

Paulo Portas será um dos nomes de políticos incluídos na agenda secreta de Salgado, de acordo com o CM. O actual comentador da TVI era ministro da Defesa aquando do negócio dos submarinos.

O processo de aquisição de dois submarinos pelo Estado Português, em 2004, foi investigado pelo MP devido a suspeitas do pagamento de luvas a políticos e intermediários no negócio.

O inquérito acabou por ser arquivado em Dezembro de 2014, ao cabo de oito anos de investigação, por falta de provas.

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