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Salah Abdeslam, autor do atentado ao Bataclan em Paris, era “o homem mais procurado da Europa”

A cadeia televisiva norte-americana divulgou um vídeo dos irmãos terroristas a divertirem-se numa discoteca em Bruxelas. Amigos contaram como os dois eram antes de se decidirem radicalizar.

O novo vídeo, agora divulgado pela CNN, é de fevereiro de 2015, muitos meses antes de os irmãos Abdeslam terem preparado aquela que viria a ser uma das noites mais trágicas da capital francesa.

Nas imagens inéditas vê-se Brahim, que depois se fez explodir num dos cafés alvos do atentado em Paris, a dançar numa discoteca em Bruxelas, com um cigarro na mão, enquanto se diverte com uma rapariga loira.

Salah, que andou fugido durante quatro meses e que se viria a tornar no inimigo número um da Europa, também aparece nas imagens a divertir-se com um grupo.

As imagens foram capturadas por dois amigos dos terroristas que agora decidiram falar à cadeia televisiva norte-americana, sob a condição de manterem o anonimato, usando os nomes falsos de “Karim” e “Rachid”.

Os amigos contaram como eram os dois irmãos antes de se radicalizarem, assegurando que Brahim era mais sério e reservado, enquanto que Salah era mais extrovertido.

“Eram boas pessoas. Suponho que se possa dizer que viveram a vida ao máximo” conta “Rachid”.

“Eu vi Salah a contar piadas, a fumar, a beber e a jogar cartas. No geral, gostava de mulheres. Era uma espécie de mulherengo e até cheguei a ouvir dizer que tinha uma namorada”, acrescenta “Karim”.

Os dois recordaram ainda quando costumavam frequentar o café dos Abdeslam, aquele que consideravam ser um “sítio divertido” e onde se sentiam “como família”.

jogavam poker a dinheiro, fumavam erva e viam jogos de futebol da sua equipa preferida, o Real Madrid. Brahim torcia sempre por Cristiano Ronaldo, aquele que era o seu jogador preferido.

Depois dessa noite de farra, os amigos admitem que os irmãos começaram a mudar e que o comportamento dos dois alterou significativamente.

“Essa foi a última vez que os vi beber. Brahim começou a tornar-se mais religioso. Às sextas-feiras ia assistir às orações numa mesquita e às vezes também rezava em casa”, explicou “Rachid”.

Apesar desses indícios, os dois asseguram que não se aperceberam da radicalização dos Abdeslam e que acreditam que os dois foram “mudando pouco a pouco”.

Os amigos lamentam o sucedido na capital francesa, depois do atentado que matou 130 pessoas, e acreditam que “ninguém nasce mau desta forma”.

ZAP