Enric Fontcuberta / EPA
Ines Arrimadas, do Ciudadanos (ao centro) venceu as eleições regionais da Catalunha
O partido constitucionalista Ciudadanos ficou à frente nas eleições da Catalunha, mas os independentistas mantiveram a maioria absoluta, com a formação liderada pelo ex-presidente catalão, Carles Puigdemont, em segundo lugar.
Com quase 100% dos votos contabilizados, o Ciudadanos (direita liberal), liderado por Inés Arrimadas, obteve 37 lugares no Parlamento catalão. A cabeça de lista admitiu, no entanto, que não poderá ser chefe do governo regional, considerando a “lei injusta” que “dá mais lugares a quem tem menos votos” na rua.
“Apostámos na união dos catalães, votámos a favor da convivência, de uma Catalunha para todos os catalães. A maioria sente-se catalã, espanhola, europeia e vai continuar a sê-lo”, disse a andaluza de 36 anos.
Os partidos que defendem a independência obtiveram uma maioria absoluta no Parlamento catalão e prometem manter o desafio secessionista a Madrid. O Junts per Catalunya, formação liderada por Carles Puigdemont, elegeu 34 deputados.
A Esquerda Republicana Catalã, de Oriol Junqueras, anterior vice-presidente da Generalitat, tem 32 assentos, seguindo-se os socialistas catalães com 17 eleitos e o CatComú-Podem com oito eleitos.
A Candidatura de Unidade Popular (CUP, extrema-esquerda) elegeu quatro assentos. No total, o bloco independentista obteve 70 dos 135 lugares, um número que sobe para 78 se forem contabilizados os defensores de um novo referendo legal (partidos independentistas mais CatComú-Podem).
O principal derrotado foi o PP da Catalunha (PPC), partido do chefe do Governo central, que obteve apenas três lugares, um resultado negativo histórico. O cabeça de lista, Xavier García Albiol, mostrou-se preocupado com o futuro da região: “Vemos com muita preocupação um futuro social e económico para a Catalunha com uma possível maioria independentista”.
Puigdemont: maioria “pede novo referendo”
Falando em Bruxelas, onde está fugido à justiça espanhola que o acusa de sedição, rebelião e peculato, o ex-presidente catalão disse que “a república catalã ganhou à monarquia do 155″, numa referência ao artigo da Constituição espanhola que permite a suspensão das autonomias regionais e que foi ativado por Madrid depois de o seu Governo ter feito uma Declaração Unilateral de Independência.
Por isso, considera-se o vencedor destas eleições: “Que tomem nota, o Estado espanhol foi derrotado. Rajoy e sua aliança perderam e receberam uma bofetada dos catalães”.
O ex-presidente da Generalitat considerou que a eleição desta quinta-feira resultou “numa maioria de votos e de deputados eleitos que pede um novo referendo
“.“Hoje há muitos que têm de entender que a maioria absoluta independentista continua intacta”, apesar de que, segundo ele, as forças secessionistas tinham tudo contra elas.
Dirigindo-se ao chefe do Governo espanhol, Mariano Rajoy, Puigdemont exigiu ainda que “amanhã mesmo” se levante o artigo 155.º. “A partir de amanhã mesmo o 155 deve ser suspenso, os presos políticos devem ser libertados, senhor Rajoy”, frisou.
Rajoy recusa-se a convocar eleições antecipadas
A participação nas eleições na Catalunha alcançou um valor histórico, com mais de 81% dos cidadãos catalães a ir às urnas, mas, esta sexta-feira, a região acordou novamente na incerteza, continuando a não se saber quem irá formar a próxima Generalitat.
Numa conferência de imprensa em Bruxelas, Carles Puigdemont apelou ao diálogo com o poder central e sugeriu um encontro com Rajoy em qualquer país da União Europeia.
“Estou pronto a encontrar-me com Rajoy em Bruxelas ou em qualquer outro local da União Europeia que não seja o Estado espanhol, por razões evidentes”, declarou.
Num discurso ao início da tarde, o presidente do Governo espanhol deixou bem claro que não está disposto a aceitar o convite do ex-presidente catalão. “Teria de me sentar com a pessoa que ganhou as eleições. Essa pessoa é a Inés Arrimadas“, respondeu a um jornalista, citado pelo Observador.
O governante recusou-se ainda a convocar eleições antecipadas e mostrou-se disponível para começar uma nova etapa na região, onde o “diálogo construtivo, aberto, realista e sempre dentro da lei” devem imperar.
“Eu confio que a Catalunha vá abrir uma porta ao diálogo e não ao conflito, à cooperação e não à imposição, à pluralidade e não à unilateralidade”, cita o jornal online.
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Então os Ciudadanos venceram com minoria absoluta?