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O ministro das Finanças, Mário Centeno

Cinco meses depois de ter entrado em vigor o novo regime de pré-reforma, ainda nenhum funcionário público foi autorizado pelo Ministério das Finanças a suspender a prestação de trabalho.

Em causa está o regime que entrou em vigor no início de fevereiro e ao abrigo do qual os funcionários do Estado com, pelo menos, 55 anos podem pedir a suspensão da prestação de trabalho, mantendo entre 25% e 100% da sua remuneração base.

Esta possibilidade já estava prevista na Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas (LGTFP) desde 2009, mas só no início deste ano foi efetivamente regulamentada. A par desta modalidade, já estava consagrada na LGTFP e regulada a pré-reforma por redução do tempo de trabalho.

Em ambos os casos, os pedidos têm de receber autorização prévia dos membros do Governo responsáveis pelas áreas das Finanças e da Administração Pública. Mas, cinco meses depois da entrada em vigor do novo regime das pré-reformas, o gabinete de Mário Centeno ainda não deu “luz verde” a nenhum dos pedidos, avança o Eco.

Já é conhecido o interesse do lado dos funcionários públicos. Na educação, mais de 200 professores tinham submetido pedidos neste sentido, até ao final de maio. Sobre esses requerimentos, o Governo disse apenas que estavam a ser analisados “em função do interesse público”.

“O processo de pré-reforma constitui um instrumento de gestão de recursos humanos devendo os pedidos ser apreciados em função do interesse público subjacente a cada pedido, ou tipologia de pedidos, não estando previsto no programa do Governo nenhum mecanismo de incentivo à pré-reforma“, disse, na altura, Executivo.

Em abril, o governante responsável pela pasta das Finanças disse que o país não se pode dar “ao luxo de ter pessoas a sair do mercado de trabalho” e que a regulamentação da modalidade referida de pré-reforma não foi um convite à sua adesão. “Não estamos a abrir a porta às pré-reformas”, sublinhou Mário Centeno.

O ministro do Trabalho defendeu que a intenção do Executivo nunca foi que a pré-reforma “seja utilizada de forma generalizada”, uma vez que o país precisa das competências dos trabalhadores mais velhos.

Os sindicatos têm criticado, argumentando que esta foi uma das medidas que “se tomaram para não aplicar”. “O que está a acontecer é que os processos ficam na gaveta”, chegou a reforçar José Abraão, dirigente da Federação de Sindicatos da Administração Pública.

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