Cientistas desenvolvem protótipo ultra-fino que converte luz solar em energia

By ZAP -

University of Exeter / Flickr

Efeito de um laser Argon a incidir numa amostra ultra-fina de grafeno, O trabalho apresentado usa molibdenite, um composto semicondutor com características semelhantes.

Investigadores portugueses integrados numa equipa internacional desenvolveram o protótipo de uma célula solar “extremamente fina” que pode “abrir novas fronteiras” no aproveitamento energético da luz por ser capaz de converter 30% da luz solar em energia elétrica.

Em comunicado enviado à agência Lusa, a Universidade do Minho esclarece que o aparelho “de apenas alguns átomos de espessura” tem como “grande inovação a utilização de bandas de energia electrónica que correm paralelas nos materiais bidimensionais que o formam, em particular a molibdenite, um composto semicondutor que pode vir a substituir o silício em dispositivos eletrónicos”.

O trabalho, que acaba de ser publicado na revista Nature Communicatons, apresenta “aquele que é um dos dispositivos mais eficazes de sempre a absorver e transformar a luz solar em electricidade”, aponta a UMinho.

“Acreditamos estar a abrir novas fronteiras no aproveitamento energético da luz, nos foto-detectores e na electrónica do futuro”, afirma Ricardo Mendes Ribeiro, do Centro de Física da Escola de Ciências da UMinho.

UMINHO.pt

Ricardo Mendes Ribeiro, investigador da Universidade do Minho

Este aparelho, realça o texto, “é capaz de converter 30% dos fotões de luz recebidos em energia eléctrica.

Segundo o comunicado a aplicação futura daquele protótipo, “extremamente fino face às actuais células solares”, inclui “foto-detetores ultrassensíveis

para câmaras fotográficas ou vídeo, baterias de ‘smartphones’ recarregadas à exposição solar e electrónica flexível para adaptar à roupa, ao plástico e a sistemas biológicos”, entre outros.

A UMInho explica ainda que “este campo de investigação está em grande crescimento e vários grupos de todo o mundo têm criado protótipos com a técnica de esfoliação mecânica, usando materiais como o grafeno, para captar os electrões que se formam quando a luz incide, ou o dissulfato de tungsténio, que absorve a luz e gera esses electrões”.

Além de Ricardo Ribeiro, a investigação envolveu dez cientistas da Universidades de Quioto, no Japão, e da Universidade Nacional de Singapura, entre os quais os portugueses Alexandra Carvalho e António Castro Neto.

Ricardo Ribeiro esteve já envolvido no primeiro projeto do género, divulgado em 2013 na revista “Science”, que envolveu os “Prémio Nobel do grafeno”, Andre Geim e Konstatin Novoselov.

/Lusa

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