Marca de uma dentada num fragmento de fémur
Um buraco triangular, característico de um dente humano
Uma costela humana que parece ter sido roída

Um grupo de arqueólogos da Universidade de Valência encontrou provas de que os habitantes da Península Ibérica recorreram ao canibalismo durante o período Mesolítico, há cerca de dez mil anos.

Segundo o estudo publicado este mês no Journal of Anthropological Archaeology, os especialistas chegaram a esta conclusão através de vestígios recolhidos nas Grutas de Santa Maira, no sul de Espanha.

Análises de datação através de carbono permitem concluir que se trataram de dois casos diferentes de canibalismo, que ocorreram há 9 ou 10 mil anos.

Apesar de terem sido descobertos 30 ossos humanos diferentes nas cavernas, os arqueólogos afirmam que haviam restos de crânio de apenas três indivíduos: uma pessoa pesada, uma mais pequena, e uma criança (o crânio infantil não mostra nenhum sinal de canibalismo).

Isto significa que duas pessoas, ou até mais, terão sido comidas. Como não foram observados quaisquer sinais de violência, essas pessoas terão provavelmente sido comidas após a morte.

J.V. Morales-Pérez

Fragmento de um crânio humano com marcas de cortes

“Foi determinado que as marcas encontradas nesses restos seguem a ordem lógica de um processo de abate e consumo”, explica Juan Morales Perez.

A dificuldade de identificação e de atribuição, em especial dentária, pela semelhança de marcas humanos com as de outros animais carnívoros, tem exigido estudos comparativos sobre os restos de animais encontrados no mesmo local.

O diretor do projeto de escavações, J. Emili Aura, professor de Pré-História na Universidade de Valência, disse que estas práticas podem ter sido pontuais, com fins estritamente alimentares, mas também não deve ser descartada “a hipótese práticas sociais, episódios de violência individual ou de grupo, ou até mesmo um ritual”.

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