Annie Cavanagh / Wellcome Images

Células cancerígenas

Uma equipa de cientistas israelitas do laboratório farmacêutico Accelerated Evolution Biotechnologies afirmou ter encontrado a primeira cura completa para o cancro, adiantando ser possível ter o tratamento disponível já no próximo ano. A comunidade especialista mostra-se reticente, criticando a falta de informação.

“MuTaTo” [toxina multi-alvo] foi o nome dado ao tratamento que poderá revolucionar o tratamento do cancro, segundo apontam os cientistas. Trata-se de um produto antibiótico que resulta da combinação de certas toxinas que atacam especificamente as células cancerígenas, eliminando assim a possibilidade de a doença voltar a aparecer, explicou Ilan Morad, líder da investigação, citado pelo The Jerusalem Post. 

De acordo com Morad, os especialistas seriam responsáveis por analisar o tipo de cancro de cada paciente de forma a conseguirem fornecer um antibiótico especificamente projetado para curar a sua doença. “A nossa solução é tanto genérica como pessoal”, adiantou ainda Dan Aridor, especialista do mesmo laboratório.

Os cientistas asseguram que o tratamento será eficaz desde o primeiro dia, durará algumas semanas e terá efeitos colaterais mínimos. Além disto, notam os especialistas envolvidos, o tratamento terá um custo mais baixo do que os atualmente disponíveis.

Especialistas respondem com ceticismo

Apesar da importância que esta descoberta poderá ter, há muitas críticas dos especialistas médicos, que consideram que a alegada eficácia do medicamento é exagerada. Além disso, advertem os céticos, as informações sobre o estudo são ainda muito limitadas e sem qualquer publicação científica que o suporte.

O diretor do Escritório Nacional da Sociedade Americana do Cancro, Len Lichtenfeld, defende que é ainda muito cedo para concluir que o tratamento funcionará com sucesso quando aplicado humanos, uma vez que até agora só foi experimentada em cobaias (ratos de laboratório). O procedimento experimental carece de “caução”, adverte.

“Infelizmente, devemos estar cientes de que [esta investigação] está longe de ser um tratamento eficaz para pessoas com cancro e muito menos uma cura”, alerta ainda Lichtenfeld através do seu blogue pessoal.

Em igual sentido, Darren Saunders, médico e biólogo australiano, enfatiza que não informações suficientes sobre a investigação levada a cabo pela equipa israelita. E reitera: “Estão a vender unicórnios“.

Apesar das críticas recebida pelos pares e da pouca informação disponibilizada, Aridor diz que os resultados alcançados são “consistentes e repetíveis”.

Uma outra equipa de investigadores de Israel, do Sheba Medical Center, diz ter encontrado um potencial medicamento para a cura do glioblastoma, um cancro cerebral agressivo e com altas taxas de mortalidade associadas. O estudo em causa foi publicado na revista Fronties in Neurology a 17 de novembro.

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