As autoridades fronteiriças chinesas estão a instalar uma aplicação que permite espiar os telemóveis dos turistas que queiram visitar a província de Xinjiang.
A China está a instalar um software de espionagem nos telemóveis de quem visita a província de Xinjiang. Esta região, a mais ocidental do país asiático, serve cada vez mais de laboratório para um sistema de vigilância digital sofisticado e, apesar de os locais serem os principais alvos, os turistas não escapam.
O software copia as mensagens de texto e muitos outros dados, que incluem contactos telefónicos e registos de chamadas, assim como nomes de utilizador usados em aplicações. Segundo o Expresso, não se sabe onde ou por quanto tempo a informação recolhida é guardada.
Esta revelação tem como base uma investigação realizada pelo jornal britânico The Guardian, em conjunto com o diário norte-americano The New York Times e com o germânico Süddeutsche Zeitung. Segundo esta investigação, os estrangeiros, assim que chegam à fronteira, têm de entregar os seus telemóveis às autoridades, que põem o software no dispositivo.
Uma vez instalado, este software procura determinados materiais que constam de uma lista, nomeadamente tudo o que possa estar relacionado com temas islâmicos
. Aliás, segundo o jornal, até mesmo livros de académicos respeitáveis podem ser sinalizados, a par de conteúdo “extremista” propriamente dito.De acordo com o Extreme Tech, a China justifica estas medidas com o argumento de que se trata de prevenir o terrorismo, adiantando que o governo chinês quer promover a paz e estabilidade em Xinjiang. “O terrorismo e o extremismo pisam os direitos humanos básicos”, disse um porta-voz do governo.
Segundo o Público, investigações mostram que estas tecnologias se estão a alastrar a cidades como Pequim e Xangai. Esquadras da polícia em quase todas as províncias chinesas fizeram pedidos de compra dos dispositivos de extração de dados para smartphones desde o início de 2016, mostram documentos de aprovisionamento do Governo recolhidos e divulgados pela Reuters em Agosto de 2018.
Ao The Guardian, Edin Omanovic, um dos líderes da organização não-governamental Privacy Internacional, disse que estas descobertas são “altamente alarmantes num país onde o download de uma aplicação errada ou de um artigo noticioso pode levar alguém para um campo de detenção”.
O investigador acrescenta que este é outro dos exemplos que comprova que o regime de vigilância em Xinjiang “é um dos mais ilegais, intrusivos e draconianos do mundo”.
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Possivelmente o grande problema da China será mais uma questão de regiões ocupadas ilegalmente através da força e esta será mais uma forma de controlo e intimidação que parece ultrapassar tudo o que seria normal num país normal.