Angelo Carconi / EPA

O número de mortes em Wuhan, cidade chinesa onde começou a pandemia do novo coronavírus, é 50% maior do que inicialmente reportado pelas autoridades do país.

O Governo da China admitiu numa publicação nas redes sociais, citada pela AFP, que a contagem das vítimas mortais estava errada. A China acrescentou 1.290 mortes à contagem inicial, aumentado o valor total para 3.869.

Com a retificação dos números, a China tem agora registadas 4.632 vítimas mortais de covid-19, mais 39% do que na primeira contagem oficial.

De acordo com o Diário de Notícias, o governo chinês explicou que os números iniciais foram “relatados por engano” e que outros ficaram esquecidos e não chegaram a ser registados devido à turbulência dos primeiros tempos em que o país tentava gerir um vírus novo.

As autoridades de saúde de Wuhan explicaram que entre os motivos para que estas mortes não tivessem sido contabilizadas pode ter estado o facto de a equipa médica estar sobrecarregada nos primeiros dias do surto o que terá levado a “relatórios tardios, omissões ou informações incorretas”.

Wuhan tem 11 milhões de residentes e esteve 11 semanas em quarentena.

A correção da contagem acontece dois dias depois de uma investigação da Associated Press revelar que o país demorou seis dias para alertar a população sobre o surto.

Recentemente, vários líderes mundiais – com Donald Trump a liderar – sugeriram que a China não foi completamente honesta

quando reportou o real impacto do vírus no país.

Também o Reino Unido e a França duvidam da transparência do governo chinês. O secretário de Relações Exteriores britânico, Dominic Raab, vice do primeiro-ministro Boris Johnson, que ainda está a recuperar depois de ter contraído a doença, disse que haverá “perguntas difíceis” a fazer a Pequim.

Em declarações ao Financial Times, o presidente francês, Emmanuel Macron, disse que seria “ingénuo” pensar que a China geriu bem a pandemia. “Há claramente coisas que aconteceram e que não sabemos”, disse.

Na quinta-feira, o governo chinês negou que o novo coronavírus tenha tido origem num laboratório perto da cidade de Wuhan, onde amostras de doenças contagiosas estão armazenadas.

A pandemia de covid-19 já causou mais de 145 mil mortes e infetou mais de 2,1 milhões de pessoas em 193 países e territórios. Mais de 465 mil doentes foram considerados curados.

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