Thomas Peter / EPA
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o presidente da China, Xi Jinping
A guerra de propaganda entre os EUA e a China continua, com acusações mútuas por causa do coronavírus. A China avança agora a teoria de que o vírus teve origem num laboratório militar nos EUA e que é isso que explica os números trágicos do país, com mais de 90 mil mortes.
Numa altura em que crescem os apelos para uma investigação internacional independente para apurar as origens do novo coronavírus, com a China a insistir que não vai permitir quaisquer intromissões estrangeiras no seu país, há mais uma teoria da conspiração em cima da mesa.
Desta feita, a China avança que o vírus teve origem num laboratório militar norte-americano e que é isso que explica os números trágicos da pandemia nos EUA, onde já foi ultrapassada a barreira das 90 mil mortes.
Num artigo publicado na revista Quishi, propriedade do Partido Comunista da China, e que é citado por vários órgãos internacionais, o Governo chinês alega que “clarificar a fonte e a rota de transmissão do novo coronavírus é essencial” para combater a pandemia.
Atente-se que a China insiste em não permitir investigações internacionais em Wuhan, para permitir apurar as origens do coronavírus. E até já ameaçou boicotar o turismo e produtos da Austrália, caso o país insista nessa ideia.
O Governo chinês tem sacudido água do capote, no âmbito da gestão e das origens da pandemia, apostando numa guerra de propaganda tendo como alvo preferencial os EUA, fazendo jus ao princípio do “lobo combatente”.
Mistério do encerramento do laboratório de Fort Detrick
A nova teoria da conspiração da China aponta o dedo ao Laboratório Biológico de Fort Detrick, em Maryland, que acolheu o Instituto Médico de Pesquisa de Doenças Infecciosas do Exército dos EUA. E até cita um estudo publicado em Abril, sobre as variações do coronavírus, que alega que o vírus que explodiu em Março nos EUA “não veio do estrangeiro”. Esse artigo já foi, contudo, rebatido por vários cientistas.
Mas isso não demove a China de insistir na ideia, questionando as razões que terão motivado o encerramento do Laboratório de Fort Detrick e lançando dúvidas sobre se estaria a investigar os coronavírus. Deste modo, lança o rastilho de que pode ter havido uma fuga do vírus do laboratório.
O Laboratório Biológico de Fort Detrick foi encerrado em Agosto do ano passado depois de o Centro para o Controlo e Prevenção de Doenças ter encontrado falhas de bio-segurança no local.
O jornal The New York Times noticiou que o encerramento se deveu ao facto de o Laboratório ter “sistemas insuficientes” para “descontaminar as águas residuais”. Mas não houve quaisquer rumores de que tenha havido “fugas” de vírus ou materiais passíveis de causar doenças.
Esta nova teoria da conspiração é uma versão da tese de que o exército dos EUA teria levado o vírus para Wuhan no âmbito dos Jogos Mundiais Militares.
Por seu turno, a administração de Donald Trump tem impulsionado a teoria de que houve uma fuga do coronavírus do Instituto de Virologia de Wuhan, um laboratório que tem suscitado algumas dúvidas em termos da sua segurança.
Entretanto, o consultor da Casa Branca Peter Navarro acusou a China de esconder o vírus durante dois meses e de enviar “centenas de milhares de chineses em aviões para Milão, Nova Iorque e o resto do mundo para semeá-lo“.
Já o Governo chinês tenta afastar o vírus o mais possível de Wuhan, notando o caso confirmado de covid-19 em França, em Dezembro de 2019
, e frisando que o homem infectado não teria ligações à China e nenhum historial de viagens para o país antes de ter dado positivo.O que a China não refere é que a mulher desse francês trabalhava num supermercado próximo do Aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, e que pode, assim, ter tido contacto com passageiros que tenham estado na China.
Além disso, um novo estudo científico avança que o novo coronavírus já circulava em Wuhan, sem que se tenha percebido, em Outubro de 2019.
No meio do mar de especulações e de críticas à China, pela forma como lidou com a pandemia desde o primeiro momento, o presidente Xi Jinping insiste que o país actuou com “abertura, transparência e responsabilidade”.
No seu discurso na assembleia da Organização Mundial de Saúde, nesta segunda-feira, reforçou a ideia de que Pequim não vai permitir uma investigação internacional na China, algo que cada vez mais países defendem. Xi Jinping apelou a uma “revisão abrangente da resposta global à covid-19″, mas só depois de a pandemia “ter sido controlada”.
China regista sete novos casos nas últimas 24 horas
A China diagnosticou, nas últimas 24 horas, sete novos casos de infecção pelo novo coronavírus, incluindo três de contágio local, informaram as autoridades do país asiático. Dois foram em Jilin, no nordeste do país, e o outro na cidade de Xangai, a “capital” financeira.
Jilin, que faz fronteira com Rússia e Coreia do Norte, diagnosticou dezenas de casos nas últimas semanas, pelo que as autoridades passaram a restringir as deslocações para fora da província.
Os outros quatro novos casos foram diagnosticados em viajantes oriundos do exterior, na Mongólia Interior, no extremo norte do país.
Desde há uma semana que o número diário de novas infecções na China permanece abaixo de dez.
As autoridades de saúde informaram ainda que, nas últimas 24 horas, 11 pacientes receberam alta, pelo que o número de pessoas infectadas activas no país asiático se fixou em 82, entre os quais 8 estão em estado grave.
Desde o início da pandemia, a China registou 82.954 infectados e 4.634 mortos devido à covid-19.
A pandemia do novo coronavírus já matou 316.333 pessoas a nível global e infectou mais de 4,7 milhões em todo o mundo desde Dezembro passado, segundo um balanço da agência AFP, às 19 horas desta segunda-feira e segundo dados oficiais dos países.
[sc name=”assina” by=”ZAP” source=”Lusa”]
Quem nao deve nao teme porque a China nao permite Investigaçao no seu Wuhuan?