António Pedro Santos

André Ventura, atual candidato à Presidência da República, foi entrevistado pelo Expresso e aproveitou para deixar alguns “recados” a Rui Rio, falar da sua relação com Pedro Passos Coelhos e lembrar como agiria se estivesse em Belém.

Em entrevista ao Expresso, André Ventura falou sobre a sua relação com o antigo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e destacou que gostaria que o social-democrata regressasse à vida política ativa. “Quem sabe se um dia poderíamos fazer parte do mesmo governo“, diz o candidato presidencial, sublinhando que Coelho “seria útil à direita” política portuguesa.

“É um homem que admiro e se não retirei (a fotografia que se encontra no seu gabinete) antes de (os jornalistas) entrarem aqui é porque assumi que é assim”, realça o líder do Chega, que afirma que tem falado “às vezes” com Passos Coelho.

“É um homem que admiro bastante“. “Passos Coelho segurou-me (como candidato a Loures) numa altura em que parte do PSD não queria. E isso vou dever-lhe sempre”, afirma André Ventura.

O candidato presidencial também aproveitou a conversa com o jornal Expresso para desmentir Rui Rio sobre os Açores. “Nunca ninguém falou comigo. Se seguir as notícias no pós-Governo dos Açores, ninguém falou comigo: devo ter decidido tudo sozinho. Sentei-me aqui e pensei: falei com o presidente do governo regional dos Açores, falei com o líder do PSD, mas deve ter sido tudo da minha cabeça”, refere, ironizando.

Ventura afirma que o PSD possivelmente terá “vergonha” de admitir que mantém “relações com o seu partido”.

“Precisam do Chega, mas têm vergonha de dizer que estão a falar com o Chega. Se esta diabolização se mantiver, o Chega não vai parar de crescer por causa disso. E podemos chegar a uma situação ingovernável à direita. Respeito muito Rui Rio, mas tem, provavelmente, mais uma oportunidade na vida para ser primeiro-ministro. Eu ainda terei várias. Portanto, tem de pensar se quer ser primeiro-ministro ou se prefere ficar bem aos olhos do centro político e do politicamente correto”.

No entanto, o deputado do Chega garante que nunca haverá entendimento com o PSD sem a castração química de pedófilos e a prisão perpétua. “Não haverá Governo à direita sem a reforma da Justiça assinada. Não haverá nenhum avanço sem estar assinada a castração química de pedófilos”, realça.

Relativamente aos acontecimentos referentes ao SEF, Ventura realça que se estivesse na pele do Presidente da República não permitiria que “o ministro da Administração Interna andasse a desdizer-se em conferências de imprensa”. O líder do Chega também não gostou da atitude de Magina da Silva, quando este referiu uma reestruturação na instituição, e diz que no lugar de Marcelo “chamava-o à responsabilidade imediatamente”.

Durante a entrevista, o candidato a Belém voltou a classificar Ana Gomes como “candidata cigana”, justificando este apelido pelo facto da ex-eurodeputada se considerar “a candidata das minorias” e por ser alguém que “aparentemente faz contrabando de vacinas”, recordando o episódio em que a socialista administrou uma vacina contra a gripe vinda de França – o que foi considerado pelo Infarmed como um ato ilegal.

[sc name=”assina” by=”Ana Moura, ZAP” ]