José Sena Goulão / Lusa
André Ventura, líder do Chega, com a t-shirt do Movimento Zero durante manifestação de polícias em frente ao Parlamento.
O partido de André Ventura, o Chega, está a ganhar força nos seios da PSP e da GNR, o que está a preocupar as forças de autoridade. Até pelas ligações entre elementos do Chega e do Movimento Zero (M0) que dominou o recente protesto de polícias, em frente ao Parlamento.
O MO dominou o protesto de quinta-feira que contou com a presença de cerca de 13 mil polícias e agentes, apesar de o mesmo ter sido organizado pelos Sindicatos. A situação desagradou aos principais dirigentes sindicalistas que também não gostaram de ver André Ventura a assumir protagonismo.
O deputado do Chega aproveitou a manifestação dos polícias para discursar, depois de ter aparecido no Parlamento com uma t-shirt do Movimento.
“Utilizou uma manifestação apartidária. Foi um erro“, lamenta César Nogueira, da APG/GNR, em declarações ao Expresso.
André Ventura diz no mesmo semanário que só discursou porque lhe pediram “insistentemente para falar”. “Não houve nenhum aproveitamento político, houve uma presença espontânea numa manifestação justíssima e à qual não podíamos falhar”, refere, garantindo que não tem “qualquer conhecimento de quem são os líderes” do MO e que só se juntou ao movimento “pelas causas e pelas reivindicações”.
Mas o Expresso destaca que as forças de segurança consideram que a relação entre o Chega e o MO é “muito próxima”, já que alguns dos líderes do movimento estarão associados ao partido de Ventura. Um deles terá até feito parte das listas do Chega
nas últimas legislativas, aponta o semanário.Também há suspeitas de que o MO tenha entre os seus principais elementos pessoas ligadas à direita nacionalista, até por causa do símbolo do zero que foi usado no protesto. O gesto de fazer um zero com os dedos, com os restantes esticados, tem sido usado por grupos de extrema-direita para representar as iniciais de “white power” (poder branco).
O MO recusa estas ideias, notando que os seus elementos não são “bandidos ou arruaceiros”, nem estão “ligados a extremismos”, como cita o Expresso.
Mas o presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT), António Nunes, alerta no Expresso que o Governo “não deve desvalorizar” o M0, considerando que por ter “características inorgânicas”, sem um líder formal, nem estatutos, pode ser “mais permeável à manipulação de elementos radicais“.
“Os serviços e forças de segurança podem levar algum tempo a mapear toda esta teia. Nos últimos anos houve uma grande aposta a combater o perigo jiadista, o que é normal, e só agora se investe mais na investigação a grupos criados nas redes sociais”, frisa António Nunes.
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Tenho todo o respeito e consideração por as forças de segurança. São a garantia da minha proteção !..... Pena ..é que uma parte desta classe profissional se identifique com este grupo politico em particular ou qualquer outro. Protestos que deveriam ser apartidários, perfeitamente legitimados por as carências materiais e humanas, acabam desvirtuados por um Deputado a procura de protagonismo e tornando estas reivindicações em propaganda eleitoral, apropriando-se do tempo de palavra em nome das forças de segurança em geral !..... LAMENTÁVEL !!!!