Nuno Veiga / Lusa
O presidente do Chega, André Ventura, na II Convenção Nacional do partido
Os dissidentes do Chega estão a formar um novo partido: a Liga Nacional. São a favor da criminalização do aborto, estão contra os refugiados e até convidaram para líder Suzana Garcia, ex-comentadora do programa da manhã da TVI.
Insatisfeitos com o estado atual do partido de André Ventura, um grupo de dissidentes do Chega está a criar um novo partido, a Liga Nacional. O objetivo é disputador o mesmo espaço político, escreve o jornal Público.
“Acho que o Chega vai implodir e é de captar os bons estilhaços. O Chega acolheu muita gente que não interessa. Ficou cheio de hooligans“, disse ex-líder do partido na Madeira, Miguel Tristão Teixeira.
“Estamos à espera de que saiam as pessoas que interessam. Sei perfeitamente quem é válido naquele partido”, disse, por sua vez, Pedro Perestrello, fundador que diz ter abandonado o Chega para não se ver “novamente envolvido em crimes”, referindo-se ao caso das assinaturas falsificadas.
A instabilidade vivida dentro do partido tem-se adensado nos últimos tempos. A II Convenção do Chega, em setembro, voltou a mexer na ferida com a dificuldade em eleger a lista para a direção nacional.
A Liga Nacional quer apresentar listas para as próximas eleições autárquicas, em setembro ou outubro de 2021, defendendo um projeto que dizem ser o original do Chega.
“O Chega é um partido de gente do sistema, do pior que o sistema tem e que está louquinha para arranjar tacho no Governo. Andam a tentar fazer, apesar de o André o recusar, coligações para as autárquicas e legislativas seguintes [em 2023] para ver se ganham lugares”, disse Perestrello ao Público.
“Há gente à volta dele [de André Ventura] que começa a hostilizar, a ameaçar, a perseguir. Conheço vários casos de ameaças físicas. Há difamação, histórias inventadas com provas forjadas, é especialidade da casa”, acrescentou.
O ex-fundador do Chega Jorge Castela, agora na Liga Nacional, diz que o partido de André Ventura “acabou por ser uma fraude” após as pessoas perceberem que “foi tomado por uma associação de malfeitores sem princípios e sem carácter”.
A Liga Nacional está à procura de um líder carismático e até contactou Suzana Garcia, a polémica ex-comentadora do programa da manhã da TVI, que foi recentemente afastada por Cristina Ferreira. No entanto, esta rejeitou o convite.
O novo partido é a favor da criminalização do aborto, apoia manifestações contra o uso de máscaras e é contra os refugiados, que associa ao terrorismo jiadista.
“Vamos disputar o nacionalismo liberal. Defender Portugal e os portugueses primeiro, defender uma democracia, com o aumento da autoridade do Estado, e uma economia de mercado dentro dos limites da garantia da soberania nacional”, explicou Perestrello, adepto das política de Donald Trump.
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Se o Chega implodir, vai cheirar muito mal, ainda bem que andamos TODOS de máscaras!