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Chefe do Estado-Maior do Exército pediu a demissão depois das declarações polémicas feitas pelo subdiretor do Colégio Militar sobre alunos homossexuais.

O General Carlos Jerónimo, chefe do Estado-Maior do Exército, pediu esta quinta-feira a demissão na sequência da polémica sobre discriminação de alunos homossexuais no Colégio Militar, escreve o Diário de Notícias.

O episódio começou quando numa entrevista dada na semana passada ao Observador, o subdiretor do colégio, o Tenente Coronel António José Grilo, admitiu que os alunos homossexuais eram alvo de exclusão pelos outros alunos.

“Nas situações de afetos [homossexuais], obviamente não podemos fazer transferência de escola. Falamos com o encarregado de educação para que percebam que o filho acabou de perder espaço de convivência interna e a partir daí vai ter grandes dificuldades de relacionamento com os pares. Porque é o que se verifica. São excluídos”, afirmou na altura.

Este tipo de declarações levou a que o ministro da Defesa, Azeredo Lopes, exigisse um pedido de explicações aos responsáveis por esta organização de ensino, considerando a situação “absolutamente inaceitável”.

O pedido de demissão por parte do chefe do Exército chegou esta quinta-feira à noite e o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, já aceitou a exoneração.

Por sua vez, o presidente da Associação dos Oficiais das Forças Armadas, o Coronel Pereira Cracel

, vê com alguma admiração esta rápida aceitação do pedido por parte do chefe de Estado.

“Admira-nos esta situação. Sendo um militar, cuja a sua prestação é conhecida, um chefe que é estimado pelos seus homens, (…) gostaríamos que o procedimento tivesse sido outro”, diz à TSF.

Em declarações ao DN, o porta-voz do Exército, o Tenente Coronel Góis Pires, afirma que foram “motivos pessoais” que levaram Carlos Jerónimo a tomar esta decisão.

Para suceder ao seu lugar, o candidato mais forte será José Carlos Calçada, comandante do Pessoal e escolhido por Marcelo para secretário do Conselho Superior de Defesa Nacional, dizem algumas fontes ouvidas pelo diário.

Mas também Fernando Serafino, comandante da Logística e que foi diretor-geral de Armamento no governo PSD/CDS  entre 2002 e 2005, Rovisco Duarte, Inspetor Geral, e Faria Menezes, comandante das Forças Terrestres.

ZAP