Miguel A. Lopes / Lusa

Paulo Macedo, presidente do Conselho de Administração da CGD.

Em maio, Paulo Macedo admitiu que a Caixa Geral de Depósitos tinha de aumentar as comissões cobradas aos clientes em 100 milhões de euros, num prazo de quatro anos, mas salvaguardou que não seria necessário “nenhuma correria”.

Os primeiros dias de 2018 trazem consigo o terceiro aumento das comissões da CGD, desde que Paulo Macedo se sentou à frente do banco.

O primeiro aconteceu em abril e, nessa altura, passou a ser sobrado um euro pela atualização das cadernetas aos balcões. O segundo foi anunciado logo em junho – para ser aplicado a partir de setembro – e tratava-se de um aumento de custos que abrangia milhares de clientes.

Agora, Paulo Macedo anunciou o terceiro aumento de comissões para os clientes da Caixa.

Este terceiro aumento visa, em especial, os clientes jovens, que passam a pagar comissões de manutenção de conta à ordem, segundo o Público, a partir de março. Mas a CGD não se esqueceu dos reformados e a caderneta, que para muitos idosos é a única forma de levantamento de dinheiro, é agora uma dupla fonte de receita, forçando, para quem pode, o recurso ao cartão de débito.

Ou seja, a partir de maio, quem recorrer ao levantamento do dinheiro ao balcão com a caderneta passa a pagar um euro. Quem não a quiser utilizar, pode utilizar o cartão multibanco, que, por si só, também acarreta custos.

Em abril, chegam também vários agravamentos na requisição e pagamento de cheques e em junho estão previstos vários aumentos para as empresas, como remessas de exportação e importação, créditos documentários e garantias bancárias.

O Público afirma que as contas relativas a 2017, que serão divulgadas esta sexta-feira, devem fazer transparecer um aumento das comissões (ascenderam a 349,5 milhões de euros em 2016), mas o grande impacto dos aumentos já realizados só será amplamente refletido nas contas do presente exercício.

Paulo Macedo sempre defendeu que “a CGD não cumprirá o plano de reestruturação negociado com Bruxelas se não aumentar comissões”.

Por diversas vezes, o gestor afirmou que “a Caixa cobra menos comissões no mercado face aos concorrentes”, mas a verdade é que essa diferença começa a esbater-se ou é mesmo anulada em muitas comissões.

A título de exemplo, a comissão de manutenção da conta de depósito à ordem no banco público é de 4,95 euros (5,148 euros com imposto de selo) e, segundo as contas da Deco, o valor médio desta comissão nos cinco maiores bancos (BPI, BCP, CGD, Novo Banco e Santander) o valor é de 5,28 euros.

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