Paulo Cunha / Lusa

Joaquim Barroca (à esquerda) com José Sócrates em 2010

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) perdeu 62,5 milhões de euros com os créditos concedidos ao Grupo Lena, revelou a auditoria da Ernst & Young à Caixa, evidenciando o Grupo Lena como um dos grandes devedores do banco público. 

De acordo com o Correio da Manhã, a CGD registou o prejuízo com os empréstimos atribuídos a duas empresas do Grupo Lena: a Always Special, empresa da família Barroca Rodrigues que controla este grupo empresarial, e a Lena Construções. Joaquim Barroca, administrador da Always Special, é um dos 28 arguidos na Operação Marquês, na qual foi acusado do crime de corrupção.

A CGD já assumiu, segundo a auditoria, a imparidade total do crédito de 44,3 milhões de euros concedido à Always Special. Quanto ao empréstimo de 48,7 milhões de euros atribuído à Lena Construções, o banco do Estado assumiu uma imparidade superior a 18,2 milhões de euros, correspondente a 37,5%.

Entende-se por imparidade de um crédito quando a sua quantia recuperável é inferior à quantia que foi escriturada. Noutras palavras, trata-se de perda reconhecida no crédito. De acordo com as normas da Contabilidade, este conceito aplica-se, por exemplo, no cálculo do valor pelo qual um determinado activo deve estar escriturado.

Questionado pelo matutino sobre a dívida da Always Special, fonte oficial do Grupo Lena esclareceu que “a empresa referida é a holding familiar que detém o Grupo”. E adiantou: “O crédito em causa foi exclusivamente para financiar a atividade

do Grupo. Conhecem-se as circunstâncias que determinaram os problemas do setor e do Grupo, sendo certo que o Grupo está, como sempre esteve, empenhado em resolver a situação”, escreve o Correio da Manhã na edição desta segunda-feira.

Entre 2018 e 2020, a Always Special tem como administradores, segundo o Portal da Justiça, os irmãos António Barroca Rodrigues e Joaquim Barroca Rodrigues. Os acionistas da Always Special serão António Barroca e Joaquim Barroca, ambos com cerca de 40% cada do capital social, e Fátima Barroca Rodrigues, que terá a restante parte do capital.

Nos autos da Operação Marquês, recorda o matutino, refere-se que o Grupo Lena é dominado, desde 2006, pela Always Special.

Na Operação Marquês, o Grupo Lena foi acusado de ter pagado a José Sócrates alegadas luvas de 9,7 milhões de euros, em troca de contratos de obras com o Estado. O grupo fez vários contratos com a Parque Escolar.

Os alegados subornos terão sido pagos ao antigo primeiro-ministro, através de Joaquim Barroca, em contas na Suíça, entre 2007 e 2008.

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