Stephanie Lecocq / EPA
O antigo ministro das Finanças, Mário Centeno, escolheu os nomes do conselho de auditoria que tem como missão avaliar o trabalho do governador do Banco de Portugal (BdP), cargo a que o antigo governante tem sido apontado.
A notícia é avançada pelo jornal Público e pelo semanário Expresso.
O conselho de fiscalização em causa integra três nomes que foram todos escolhidos pelo antigo ministro das Finanças: Nuno Fernandes como presidente e Óscar Figueiredo e Margarida Vieira de Abreu na função de vogais.
Se os rumores se confirmarem e se Mário Centeno rumar à liderança do BdP, o seu trabalho será controlado por uma equipa que o próprio nomeou, situação que pode levantar questões sobre um eventual conflito de interesses.
O Expresso precisa que dois dos elementos foram nomeados por Centeno em maio de 2018, tendo o terceiro sido apontado em 2019. Os mandatos prolongam-se até 2021 e 2022, respetivamente. O mesmo jornal dá ainda conta que as remunerações dos membros deste conselho foram aumentadas pela equipa liderada por Mário Centeno.
Caso Mário Centeno venha a suceder a Carlos Costa, atual governador do banco regulador, esta “não deixa de ser uma situação pouco ortodoxa”, disse ao semanário Expresso uma fonte que pediu para não ser identificada.
Para o conselho consultivo, o antigo governante nomeou quatro pessoas: Francisco Louçã, Luís Nazaré, Murteira Nabo e João Talone. A escolha pode também representar conflito de interesses, apesar de se tratar de uma estrutura sem pode efetivo.
Mário Centeno anunciou a semana passada que iria deixar o Governo liderado por António Costa sem nada adiantar sobre o seu futuro. Os rumores sobre uma eventual saída direta para o BdP não são novos, mas parecem ter ganhado força nos últimos dias.
De acordo com uma análise política do Público, Mário Centeno está cada vez mais perto de liderar o BdP: António Costa admitiu que este cenário é “uma hipótese” e que o antigo ministro tem “todas as condições” para assumir o cargo, posição que conta com o apoio do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que já fez saber que que não via problema na ida de Mário Centeno para o órgão regulador.
As entraves levantadas no Parlamento também começam a perder força: o projeto de lei apresentado pelo PAN que pede um período de nojo de cinco anos entre a transição do Governo para o BdP começa agora a esvaziar-se, uma vez que o Bloco de Esquerda, que é conta o “salto” de Mário Centeno, recusa-se a apressar leis.
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