Stephanie Lecocq / EPA

O presidente do Eurogrupo considerou, esta segunda-feira, a atitude do antigo ministro das Finanças grego, que gravou reuniões do fórum de ministros das Finanças da zona euro, “politicamente lamentável”.

“Honestamente, não tenho comentários a fazer sobre isto. É algo que politicamente lamentamos, mas não comento”, limitou-se a responder Mário Centeno, quando questionado, na conferência de imprensa no final da reunião de hoje do Eurogrupo, sobre o facto de, na passada sexta-feira, o ex-ministro das Finanças grego ter fornecido ao presidente do Parlamento grego as polémicas gravações das reuniões do Eurogrupo durante o auge da crise grega, em 2015.

Atualmente deputado e líder do MeRA25, Yanis Varoufakis considerou que a gravação das sessões foi “completamente legítima” porque os representantes da troika de credores internacionais — União Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional — “queriam humilhar não apenas a esquerda, mas todo o povo grego”, razão pela qual as entregou, num envelope, ao presidente do Parlamento grego, que as rejeitou, considerando a iniciativa “inadmissível”.

Também questionado sobre este episódio, o diretor-executivo do Mecanismo Europeu de Estabilidade, Klaus Regling, que participou nesses encontros, considerou hoje igualmente que é de “lamentar esta quebra de confidencialidade”.

“Ao mesmo tempo, espero que tenha utilizado tudo aquilo que ele próprio achou interessante no livro que foi publicado”, acrescentou.

Apesar de o combate pela transparência que promoveu nas altas esferas institucionais ter sido decisiva para a sua afirmação como um “ícone” político, a revelação de que Varoufakis tinha gravado em segredo as reuniões do Eurogrupo provocou acesa polémica, na Grécia e a nível europeu.

As regras do Eurogrupo não impedem a gravação das reuniões, apesar de se considerar adquirido que os participantes mantêm a sua confidencialidade.

Num primeiro momento, Varoufakis negou ter gravado as sessões, mas depois reconheceu que registou o seu conteúdo numa entrada do seu blogue pessoal. Assegurou que tomou a decisão para informar “com frases exatas” o primeiro-ministro, a equipa governamental e o Parlamento grego.

A transcrição destas gravações serviu posteriormente de base para o seu livro Adults In The Room: My Battle With Europe’s Deep Establishment e ao filme de Costa-Gravas com o mesmo nome Adults in the Room.

[sc name=”assina” source=”Lusa” ]