Miguel A. Lopes / Lusa

O primeiro-ministro e o ministro das Finanças estiveram reunidos, em São Bento, esta quarta-feira, por causa da transferência de 850 milhões de euros destinados ao Novo Banco.

Depois da reunião em São Bento, a decisão: Mário Centeno não vai sair do Governo. Em comunicado, citado pela rádio Renascença, o primeiro-ministro garantiu que “reafirma publicamente a sua confiança pessoal e política no Ministro de Estado e das Finanças”.

Segundo a nota, na reunião “ficaram esclarecidas as questões relativas à falha de informação atempada ao primeiro-ministro sobre a concretização do empréstimo do Estado ao Fundo de Resolução”.

Este empréstimo, salienta o mesmo comunicado, “já estava previsto no Orçamento de Estado para 2020, que o Governo propôs e a Assembleia da República aprovou”.

O gabinete do primeiro-ministro confirma ainda que “as contas do Novo Banco relativas ao exercício de 2019, para além da supervisão do Banco Central Europeu, foram ainda auditadas previamente à concessão deste empréstimo” pela Ernst & Young, pela Comissão de Acompanhamento do mecanismo de capital contingente do Novo Banco e pelo Agente Verificador designado pelo Fundo de Resolução, Oliver Wyman.

“Este processo de apreciação das contas do exercício de 2019 não compromete a conclusão prevista para julho da auditoria em curso a cargo da Deloitte e relativa ao exercício de 2018, que foi determinada pelo Governo”, acrescenta o comunicado.

Na semana passada, durante o debate quinzenal, António Costa disse à coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, que não haveria transferências para o Fundo de Resolução, tendo em vista a recapitalização do Novo Banco, até que a auditoria àquela instituição bancária estivesse concluída.

No dia seguinte, no Porto, o primeiro-ministro afirmou aos jornalistas que o Ministério das Finanças não o informara de que essa transferência tinha sido efetuada na véspera, o que o levou a pedir desculpas à líder bloquista pela informação errada que lhe tinha transmitido.

Perante este caso, em entrevista à TSF, o ministro das Finanças assumiu que houve uma “falha de comunicação” entre o seu gabinete e o do primeiro-ministro. Esta quarta-feira, no Parlamento, Centeno afirmou que a transferência “não foi feita à revelia” de Costa.

Também hoje, no final de uma visita à Autoeuropa, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, considerou que o primeiro-ministro “esteve muito bem” ao remeter nova transferência para o Novo Banco para depois de se conhecerem as conclusões da auditoria que abrange o período entre 2000 e 2018.

Esta tarde, o líder do PSD, Rui Rio, defendeu que o ministro das Finanças “não tem condições para continuar” no Governo, considerando que será uma má decisão se Costa decidir manter “um ministro que não lhe foi leal”.

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