Paulo Novais / Lusa

O líder do CDS-PP deu uma entrevista ao semanário Expresso, que vai ser publicada na íntegra este sábado, na qual aborda a atuação do Governo no combate à pandemia de covid-19.

Numa entrevista ao semanário ExpressoFrancisco Rodrigues dos Santos entende que o primeiro-ministro e o resto do Governo deveriam ceder uma parte dos seus salários para, por exemplo, comprar material médico.

“António Costa podia seguir o exemplo da primeira-ministra da Nova Zelândia, que cortou em 20% os vencimentos do seu Governo, ou do chanceler austríaco, que doou um mês de salário de toda a sua equipa governamental para apoiar a que está na linha da frente do combate à covid-19. Os políticos têm de dar o exemplo ao país e solidarizar-se com os milhões de portugueses”, afirma o líder do CDS-PP.

“As verbas resultantes da redução de vencimentos e da doação, tal como aconteceu naqueles países, poderia ser consignada à compra de testes, equipamentos de proteção individual e ventiladores pelas respetivas entidades a serem disponibilizadas aos seus funcionários e à comunidade em geral, especialmente às Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) que apoiam idosos”, continua.

O líder dos centristas considera que esta é uma ideia “simbólica”, mas que seria “moralizadora” para os portugueses.

Relativamente à forma como o Governo de António Costa tem lidado com a pandemia, sobretudo na ajuda às empresas, Francisco Rodrigues dos Santos declara que o Executivo “atuou por reação” e só agora está a tomar medidas que deveriam ter sido tomadas desde o início como, por exemplo, o lay-off para todos os sócios-gerentes.

Para o centrista, o seu partido “esteve sempre um passo à frente, ao contrário do Governo que foi sendo atropelado pela realidade”.

O presidente do CDS-PP propõe ainda que seja criado um mecanismo de acerto de contas entre o Estado e os contribuintes, possibilitando que os valores em dívida possam ser descontados em impostos a pagar pelas empresas e famílias.

“O CDS propõe a criação de um mecanismo de acerto de contas, que permita a qualquer pessoa ou empresa a quem o Estado se atrasa a pagar, poder descontar o valor das faturas vencidas, para pagar os seus impostos e contribuições”, afirma.

Questionado sobre a situação da TAP, o líder do CDS considera que a solução não passa pela nacionalização da companhia aérea, mas sim por um acordo entre o Estado português e os acionistas privados.

“O ministro Pedro Nuno Santos tem sido um zero à esquerda na gestão deste dossiê. Até agora, a TAP viu zero por parte do Estado. Mas o ministro ignora que houve uma redução drástica da operação”, atira, acrescentando que o CDS não concorda “com estas ideias megalómanas de um ministro fanfarrão que acha que o dinheiro dos contribuintes deve ser injetado de forma desregulada”.

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