José Goulão / Flickr

O ex-Presidente da República, Cavaco Silva

Cavaco Silva aponta que o Estado querer ficar com 50% da TAP e a reposição das 35 horas de trabalho na Função Pública são dois dos “grandes erros” cometidos por António Costa.

Em entrevista ao programa Sob Escuta, da Rádio Observador, Aníbal Cavaco Silva deixa várias críticas ao Governo de António Costa. O antigo primeiro-ministro e Presidente da República diz que um dos “grandes erros” de Costa foi a reversão da privatização da TAP.

“Já imaginou a Autoeuropa, que concorre internacionalmente — na produção de automóveis — a ser gerida pelo Estado? Uma coisa é o Estado gerir os transportes coletivos, ou o metropolitano, ou a fábrica de produzir notas de euro no Banco de Portugal. Mas uma empresa que concorre a nível mundial com outras companhias?”, questiona Cavaco Silva.

A comparação entre a TAP e a Autoeuropa foi feita, recentemente, pelo próprio ministro da Economia. “Deixar desaparecer a TAP era como deixar desaparecer a Autoeuropa ou pior”, disse Pedro Siza Vieira em resposta ao deputado do CDS-PP João Gonçalves Pereira, num debate no Parlamento.

Cavaco discorda e argumenta que as realidades da TAP e da Autoeuropa são bem diferentes. O antigo chefe de Estado português considera que falta uma análise sobre o “custo de oportunidade” da injeção na transportadora aérea e defende que o “grande erro” começou quando o Governo quis ficar com 50% da empresa

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“Eu avisei o primeiro-ministro, quando isso foi feito em 2016. Tudo começou aí. O erro está aí. Disse-o claramente quando numa jogada meramente politico-ideológica, o Estado que tinha apenas 36%, quis ficar com 50% da TAP”, atirou.

A redução das 40 para as 35 horas na função pública e a não-recondução de Vítor Caldeira como Presidente do Tribunal de Contas são os outros erros apontados ao atual Governo socialista.

Além disso, Cavaco diz que, por muito que procure, não encontra nenhuma reforma feita pelo Governo de Costa. A via reformista, defende, só volta quando o PSD voltar ao poder.

O atual Governo, “como se viu” no Orçamento do Estado para 2021, “depende de uma força política que de democracia tem pouco”, realçou Cavaco Silva, numa crítica direta à solução governativa atual.

Em relação aos Açores, não tem a “mínima dúvida” que a coligação de direita apoiada pelo Chega é muito melhor do que a continuidade de um governo socialista.

[sc name=”assina” by=”Daniel Costa, ZAP” ]