Homem de Gouveia / Lusa

O Presidente da República de Portugal, Aníbal Cavaco Silva

Nem Passos em gestão, nem Costa definitivamente: Cavaco Silva está a avaliar a possibilidade de optar por um “governo de transição” para resolver o atual impasse político.

De acordo com uma “fonte próxima de Belém” citada pelo Diário Económico, o Presidente da República prepara-se para fazer novas exigências aos partidos, com quem começa a reunir esta sexta-feira.

Entre os cenários a serem discutidos, surge uma nova alternativa, dentro do quadro constitucional, que pode sustentar um “governo de transição”, descreve o Económico: o Presidente pode dar posse a António Costa, mas “exigir ao líder do PS um prazo para se demitir no próximo ano, levando assim o novo Presidente que sair das eleições de janeiro a convocar novas legislativas”.

Cavaco poderia defender que esta seria a melhor forma de legitimar nas urnas a proposta que António Costa apresentou de um governo socialista com apoio do PCP e do Bloco de Esquerda.

O Económico refere que não é a primeira vez que o Presidente pondera esta solução, remetendo à crise política do verão de 2013.

Na altura, Cavaco Silva lançou a possibilidade – uma hipótese que acabou por não avançar – na sequência do pedido de demissão de Paulo Portas, propondo um acordo de médio prazo entre PSD, CDS e PS e prometendo eleições antecipadas para junho de 2014, na altura do final do programa de ajustamento.

Até agora, eram três as soluções mais faladas: dar posse ao governo de António Costa

, apoiado nos acordos com o PCP e BE; manter o Executivo de Passos Coelho em gestão até o novo PR convocar eleições – o que só poderia acontecer a partir de abril de 2016 -; ou a hipótese mais remota, e já afastada por Cavaco, de convocar um governo de iniciativa presidencial.

José Pedro Aguiar-Branco, numa entrevista no início de novembro, já tinha apontado para este quarto cenário: “Se apresentar uma coligação alternativa, dado que não corresponde ao sentido de voto dos portugueses, devia ser ele, António Costa, o primeiro a querer sufragar essa alternativa nas urnas“, defendeu o ministro da Defesa, sublinhando que até mesmo Alexis Tsipras “fez isso na Grécia”.

De acordo com o Económico, a hipótese de um governo de transição também foi debatida na reunião, à porta fechada, promovida por Passos Coelho e Paulo Portas na terça-feira para discutir a situação política e constitucional, que contou com juristas, constitucionalistas e políticos.

ZAP