Mário Cruz / Lusa
A coordenadora do Bloco de Esquerda afirma que o partido não vai apoiar uma eventual recandidatura do atual Presidente da República, considerando “estranhíssimo” que alguém que se considere de esquerda o faça.
Em entrevista ao Jornal Económico, Catarina Martins abordou a questão das eleições Presidenciais, tendo afirmado, desde já, que “o Bloco não apoiará Marcelo Rebelo de Sousa”.
De acordo com a coordenadora do Bloco de Esquerda, o atual Presidente da República é “um homem de direita” e “um conservador”, tendo lembrado que, do ponto de vista das liberdades individuais, este “esteve contra os grandes avanços emancipatórios das mulheres e das várias minorias em Portugal”.
“É um homem que, do ponto de vista económico, tem tido um papel discreto de defesa da burguesia ligada ao sistema financeiro português, e será sempre o oposto da ideia de uma maior regulação e ainda menos de um controlo público da banca”.
“É um homem que se opôs a que a Lei de Bases da Saúde pudesse ser taxativa naquilo que António Arnaut tão bem defendia, isto é, de que se um hospital é público tem de ser o Estado a geri-lo. Sempre preferiu a contratualização com privados à decisão do SNS público”, disse ainda.
Por isso, a bloquista considera “estranhíssimo que alguém que se considere de esquerda, ainda que possa ter relações institucionais seguramente boas, veja Marcelo Rebelo de Sousa como um candidato de quem acredita num Estado Social forte”.
Na mesma entrevista, a líder do BE considerou que algumas das medidas tomadas pelo Governo para fazer face à crise provocada pela pandemia de covid-19 poderão não estar a acautelar o futuro. “Não queremos que a resposta à crise hoje signifique pressão
sobre as pensões amanhã”.“O Governo costuma separar entre medidas de emergência, de estabilização e da recuperação, mas se as duas primeiras não estiverem a calcular o futuro podem gerar desequilíbrios futuros“, declarou.
Sobre as moratórias de crédito, que têm permitido a famílias e a empresas adiar o pagamento das prestações, Catarina Martins disse que seria essencial “não permitir que os juros vão capitalizar e aumentar a dívida”. “Adiar a dívida de empresas, trabalhadores e famílias não vai resolver nada”, acrescentou.
Questionada sobre a ‘luz verde’ da Comissão Europeia ao empréstimo do Estado de até 1,2 mil milhões de euros à TAP, a bloquista considera um problema o Governo “não assumir a necessidade de ter presença executiva na administração“.
Em segundo lugar, considera que é “preciso debater publicamente o que queremos da TAP”, porque “já não estava bem antes” da crise pandémica. Para a deputada, “o pior de tudo seria se a reestruturação fosse uma coisa mais ou menos como uma folha de excel, em que se vende x aviões e se despede x trabalhadores para a TAP continuar a fazer mais ou menos o que fazia até agora. Seria um erro profundo”, considerou.
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Iam apoiar te a ti ou ao PCP,Chega e companhia, uma populista que não sabe fazer mais nada na vida vai-te catar.