J.S.Goulão, J. Relvas, M.A. Lopes, P. Novais / Lusa; PSD / Flickr

André Silva, António Costa, Assunção Cristas, Catarina Martins, Jerónimo de Sousa, Rui Rio

Ainda não se tinha visto António Costa tão crispado nos debates rumo às legislativas de 6 de Outubro.

Naquele que foi o último confronto televisivo a seis, o líder do PS jogou ao ataque, mas foi às cordas com as investidas de Catarina Martins e de Assunção Cristas. Pelo meio, Rui Rio confessou não ter pago bilhete para assistir ao “arrufo” caseiro e Jerónimo de Sousa e André Silva ficaram a ver em ponto morto.

Se há algo que se pode concluir deste último debate televisivo a seis é que a geringonça está definitivamente esgotada. Catarina Marins fez questão de o salientar, marcando o tom crispado numa parte final do debate que foi muito tensa.

Talvez movida pela mágoa, depois de António Costa ter dito que a actual “solução governativa foi construída apesar do Bloco de Esquerda“, Catarina Martins acusou o líder do PS de “reescrever a história”, garantindo que em 2015, ainda antes de se conhecerem os resultados eleitorais finais, os dois partidos reuniram-se para concertar posições no que foi o pontapé de saída da geringonça.

“Não se queimam pontes quando se querem fazer pontes. Não sei se o PS está zangado com os últimos quatro anos, o BE não está. O BE não está zangado e quer continuar a trabalhar”, acrescentou Catarina Martins.

Esta tensão explica-se com os diversos cenários políticos que surgem no horizonte, no pós-legislativas. Com maioria absoluta, o PS não precisa do Bloco para nada, e se precisar de parceiros para formar Governo, Costa já deixou claro que o PCP é a escolha preferencial e que também pode virar-se para o PAN.

Com o clima tenso entre Catarina Martins e António Costa, Rui Rio preferiu desligar-se, sem aproveitar para desferir os seus golpes ao principal adversário político. “Não paguei bilhete [para assistir a isto]. É um arrufo que normalmente é tratado dentro de casa“, limitou-se a notar.

Quem aproveitou o momento para atacar Costa foi Assunção Cristas que criticou o Governo e as esquerdas pelo “maior caos de sempre” no Serviço Nacional de Saúde, pela carga fiscal recorde e pelo incumprimento da promessa dos médicos de família para todos.

“Não vejo ninguém a perguntar a António Costa sobre os casos” do seu Governo, atirou ainda, numa farpa a Rio, citando “cinco membros constituídos arguidos” nos processos “Tancos, Galpgate, Protecção Civil”. “Temos um presidente da Protecção Civil arguido e o PM está calado. Como é possível passar uma campanha eleitoral sem se falar disto? É uma vergonha nacional”, atirou a líder do CDS.

Não vale a pena estender o dedinho!“, chegou a desabafar António Costa perante a investida de Cristas que conseguiu mesmo irritá-lo.

“Se eu sou optimista, o meu amigo é ultra-optimista!”

Depois do concurso de Centenos no debate matinal na Rádio, no debate televisivo Costa e Rio degladiaram-se por causa de números.

Rio acusou o Governo socialista de manter a maior carga fiscal de sempre. “A continha está certa até porque a fiz com máquina de calcular, não a fiz à mão, mas também sabia fazer”, frisou, criticando ainda que “em termos reais, a economia portuguesa foi a segunda pior dos países da coesão”.

Por outro lado, Costa atacou Rio com a proposta de corte de impostos. “Eu que sou tido como optimista, o meu amigo, cuidado! É ultra-optimista. Como faz esse milagre de cortar 3.700 milhões de euros em impostos e aumentar a receita fiscal em dois mil milhões de euros?”, perguntou a Rio em jeito de crítica.

Perante tudo isto, Jerónimo de Sousa e André Silva mantiveram posturas mais apagadas, quase como meros espectadores ao invés de intervenientes, defendendo as posições tradicionais dos seus partidos. Da boca do líder do PCP saiu a ideia de que uma nova geringonça não é possível, com o argumento de que “esta conjuntura não é repetível”.

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