o.d. SIC

O Instituto de Apoio à Criança pediu à Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) que analise o caso de um jovem que foi ridicularizado no programa Ídolos da SIC.

O caso aconteceu no programa divulgado pelo canal televisivo no passado domingo, que mostra as orelhas do jovem de 16 anos a crescer durante a sua atuação, uma situação que gerou muitas críticas nas redes sociais e levou a SIC e a produtora do programa FremantleMedia a lamentarem o sucedido.

Este caso foi lamentando por um professor do jovem, que escreveu na sua página do Facebook que o adolescente, que frequenta uma turma de Educação Especial, “está fechado no seu quarto há alguns dias“.

“No Agrupamento de Escolas Gaia Nascente estamos muito zangados com a SIC. Entendemos que isto não se faz a ninguém”, afirma o professor Rafael Tormenta, lamentando não saber quando é que seu aluno vai regressar às aulas e que “o senhor ministro da Educação e o senhor Primeiro-Ministro nada façam para acabar com esta barbárie”.

Perante o caso, “o Instituto de Apoio à Criança solicitou à Entidade Reguladora para a Comunicação Social que avaliasse a situação”, disse o secretário-geral do IAC, Manuel Coutinho.

Falando genericamente de programas que expõem crianças e jovens, Manuel Coutinho, também coordenador do SOS-Criança do IAC, defendeu que estes “devem ter um cuidado muito especial para não ferir as suscetibilidades” dos participantes.

Por outro lado, sublinhou o psicólogo, os pais também devem “ponderar muito bem o interesse da participação ou não dos filhos em determinado tipo de programas”.

Manuel Coutinho adiantou que este tipo de programas “tem muita audiência”, que às vezes é conseguida através da ridicularização dos seus intervenientes.

Esta ridicularização quando incide sobre as crianças e jovens pode acabar por ser nefasta e, de alguma maneira, comprometer a sua formação, porque a afeta de uma forma muito negativa”, advertiu.

Para o psicólogo, os programas que “comprometem os direitos fundamentais das crianças, nomeadamente o direito à sua imagem, acabam por ser devastadores”.

Isto porque “os jovens e os adolescentes estão em formação e, por vezes, têm grande dificuldade em aceitar o seu corpo e quando as suas dificuldades são exacerbadas não contribuem para o seu bem-estar, pelo contrário acentuam as suas dificuldades de integração de grupo e de autoimagem”, explicou.

Manuel Coutinho disse acreditar que quem produz este tipo de programas não tem como objetivo prejudicar os jovens. Contudo, “há certas práticas que, aparentemente inocentes, acabam por vir a comprometer o desenvolvimento harmonioso da personalidade das crianças”.

Nesse sentido, defendeu, devia haver uma “maior fiscalização prévia para evitar eventuais excessos que muitas vezes acontecem”.

A acontecerem estas situações as organizações que tutelam estes programas, nomeadamente a ERC, devem avaliá-las e elaborar recomendações para que não se repitam, sublinhou.

d.r. SIC

O júri do Ídolos, Pedro Boucherie Mendes, Maria João Bastos e Paulo Ventura

SIC reage à polémica

A SIC voltou esta sexta-feira a lamentar o caso do jovem ridicularizado no programa “Ídolos” e manifestou à família do concorrente disponibilidade para dar “todo o apoio” que seja necessário para “minorar os efeitos que esta situação causou”.

Numa curta nota, a estação de televisão refere, “uma vez mais”, que lamenta o que aconteceu “não só ao concorrente e à sua família, mas também aos espectadores”.

A SIC acrescenta que “já apresentou desculpas à tutora do concorrente” e que enviou uma carta dirigida à família do jovem “a disponibilizar todo o apoio que seja considerado necessário para minorar os efeitos que esta situação causou”.

/Lusa