Manuel de Almeida / Lusa

Ricardo Salgado, ex-presidente do BES

Um ano depois da queda do BES estão ainda por contabilizar na totalidade os milhões de euros que o processo vai custar aos contribuintes. É um alerta que o advogado José Miguel Júdice deixa, considerando o Estado vai acabar por ter que desembolsar muito dinheiro.

Em declarações ao Dinheiro Vivo, José Miguel Júdice frisa que está ainda por saber “qual o preço a pagar pelos contribuintes” pela queda do BES. O advogado nota que só depois de resolvidos todos os processos que decorrem em Tribunal contra o Estado, o Banco de Portugal e o Novo Banco é que se poderá responder a essa pergunta.

“Um dia que um tribunal venha a condenar o Novo Banco a pagar dezenas ou centenas de milhões de euros para indemnizar os investidores e os clientes, vai ser o Estado a pagar“, sustenta Júdice na referida publicação, apontando que a compra do Novo Banco por algum particular está dependente dessas “garantias”.

O advogado considera ainda que o Banco de Portugal agiu movido “pelo pânico”, com uma intervenção “errada no seu timing”, “ou cedo demais ou demasiado tarde”.

Para Júdice, é evidente que o Banco de Portugal “tinha a obrigação de ter percebido, muito mais cedo, o que se passava”.

“Importantes accionistas do banco pediram, durante meses, que se actuasse”, lembra o advogado, sustentando que “se o Estado tivesse optado pela intervenção, teria nomeado um administrador, como fez ou podia fazer no BPI, no Banif e no Millenium, em vez de deixar os membros da família Espírito Santo, segundo parece, com corda larga para fazerem o que agora lhes censura”.

Quanto às soluções para os lesados do papel comercial do BES, Júdica refere apenas que “o tratamento tem de ser igual para todos” por questões “jurídicas”.

ZAP