A comunidade chinesa que vive em Portugal organizou-se para colocar de quarentena as pessoas que vêem da China, no âmbito dos alertas em torno do novo coronavírus. E são as casas de investidores que adquiriram imóveis ao abrigo do programa dos Vistos Gold que estão a acolher essas pessoas.

Há cerca de duas semanas que a Liga dos Chineses em Portugal está a solicitar aos chineses que chegam do seu país de origem que fiquem em quarentena, durante alguns dias. Um pedido que está a ser feito mesmo àqueles que vêem de outras cidades que não Wuhan, onde teve origem o surto do novo coronavírus, e que está a ser bem aceite.

É uma medida de precaução “numa espécie de quarentena”, como explica à TSF o presidente da Liga dos Chineses, Y Ping Chow, salientando que que conseguiram algumas casas na zona de Lisboa que têm capacidade para acolher entre 40 a 50 pessoas. Mas “a procura é superior”, diz.

“Estamos à procura [de mais casas] porque também tem bastante oferta de chineses investidores de Vistos Gold que ofereceram as casas vazias para este fim”, destaca Y Ping Chow.

O presidente da Liga dos Chineses explica que não se trata apenas de “estar no quarto fechado”, mas que é preciso assegurar “um conjunto de serviços”, como a alimentação. Nesse sentido, a Liga está a “receber apoios dos colegas dos restaurantes próximos, para entregar [a comida] em casa e deixar à porta”, revela.

A Liga também se organizou para comprar mobílias e roupas de cama, para assegurar um conforto mínimo a quem fica de quarentena, já que as casas estavam vazias.

Entretanto, a comunidade chinesa está à procura de uma casa na zona de Coimbra para acolher os estudantes chineses que lá estudam e que estão de volta à cidade, após terem ido de férias a casa, para as aulas do segundo semestre.

Até ao momento, Portugal ainda não teve qualquer caso positivo de infecção com o novo coronavírus. Os sete casos suspeitos deram todos negativo.

Os 20 cidadãos repatriados da China terminam a quarentena voluntária,  neste sábado, no Hospital Pulido Valente, em Lisboa, depois de novas análises terem dado negativo.

Na União Europeia e no Reino Unido, há 44 casos confirmados, segundo o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças.

Em França, verificou-se a primeira morte relacionada com o surto na Europa – trata-se de uma turista chinesa.

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