Carta de Einstein, na qual o famoso físico diz que Deus é uma expressão da fraqueza humana e que a Bíblia não passa de uma “lenda primitiva” vai ser leiloada em Nova York e valerá cerca de 1 milhão de euros.
O texto escrito por Albert Einstein em 1954, um ano antes da sua morte, poderá valer algo entre os 870 mil euros e 1 milhão e 300 mil euros. O leilão decorrerá a 4 de dezembro e ficará a cargo da leiloeira Christie’s.
Num comunicado, Peter Klarnet, especialista em livros e manuscritos da Christie’s diz que a empresa “está honrada em apresentar esta importante carta de Albert Einstein, uma vez que se trata de um tema central à investigação humana desde o alvorecer da consciência, e é uma das declarações mais categóricas no debate Religião-Ciência”.
A carta de 64 anos de Einstein foi escrita em resposta ao livro Choose Life: The Biblical Call to Revolt do filósofo Eric Gutkind. O físico é o pai de uma das teorias mais importantes da ciência moderna – a Teoria da Relatividade Geral.
Apesar de não se descrever como ateu, Albert Einstein era de origem judaica mas não acreditava em Deus. A carta mostra uma das visões mais reveladoras das crenças religiosas do famoso físico.
Carta de Einstein escrita em 1954 para Gutkind onde afirma que “Deus é um produto da fraqueza humana”
“Deus não é nada para mim senão a expressão e produto das fraquezas humanas e a Bíblia uma coleção de lendas veneráveis mas bastante primitivas”, lê-se no documento escrito pelo físico. Ainda segundo o físico, “nenhuma interpretação, por mais subtil que seja pode mudar alguma coisa sobre isso”.
Sobre a sua origem judaica, Einstein diz que esta é “igual a todas as outras religiões”, na medida em que é “uma encarnação de superstição primitiva“.
“E o povo judeu ao qual eu pertenço de bom grado e em cuja mentalidade me sinto profundamente ancorada, para mim, não tem nenhum tipo diferente de dignidade dos outros povos”, lê-se.
“No que diz respeito à minha experiência, eles não são melhores do que outros grupos humanos, mesmo que sejam protegidos dos piores excessos pela falta de poder. De outro modo não posso observar nada de escolhido sobre eles“, acrescenta.
Outras declarações
Segundo a NewsWeek, décadas antes de o físico ter escrito esta carta, Einstein declarava numa carta diferente que “a ideia de um Deus pessoal é infantil“.
“Podem-me chamar de agnóstico, mas eu não partilho o espírito de cruzada do ateu profissional. Eu prefiro uma atitude de humildade que corresponda à fraqueza da nossa compreensão intelectual sobre natureza e do nosso próprio ser”, lê-se nessa carta.
Mas talvez a mais famosa posição pública de Einstein acerca de Deus seja mesmo a que, a propósito dos famosos Princípios da Incerteza que Heisenberg propôs, levaram o físico a garantir que Deus não joga aos dados. Se existir, claro.
[sc name=”assina” by=”ZAP” url=”https://hypescience.com/einstein-disse-que-deus-e-o-produto-da-fraqueza-humana-e-que-a-biblia-e-uma-colecao-de-lendas-primitivas-carta/” source=”HypeScience”]
Einstein a falar com sabedoria. Aqui nem é o seu vasto conhecimento a falar, mas sim a sua grande sabedoria.
A ideia de um Deus pessoal/personalizado num ente, como um velho de barbas por exemplo... É de facto primitiva e infantil. O problema é, e sempre foi: Quando o homem sente/comunga com o sagrado (e quem não o faz de forma mais ou menos profunda?), tenta verbalizá-lo usando metáforas a miúde desatrosas. A interpretação e manipulação dessas metáforas, não raramente simplista e simplória, usada como forma de manipulação das massas, isso então nem tem qualificação possível e justificou incontáveis crimes ao longo da História. Não se pode confundir Igrejas e Religião formal/institucionalizada, com espiritualidade.
É que, se a crença num Deus pessoal é infantil e primitiva, a crença de que a realidade se reduz àquilo que o intelecto humano consegue entender, é ainda mais infantil e primitiva do que a de um Deus personalizado. Reduzir a realidade à materialidade percepcionada ou pelos nossos sentidos ou entendida pelo nosso intelecto, é muito, mas muito mais estúpido do que considerar a hipótese de vivermos numa realidade fruto de um design inteligente e munida de algum propósito (por oposição a uma realidade totalmente aleatória). Até Einstein disse que "Deus não joga aos dados", isto é, a realidade não é desprovida de propósito.
Há de facto propósito na existência... Mesmo que o intelecto não o compreenda. Se isso pressupõe uma consciência universal (Brahman ou Paramathman, como diriam os Hinduistas) ou qualquer outra coisa diferente... Nunca saberemos nem é importante saber porque, o sentido da vida é viver uma vida com sentido. E há tanta gente a viver vidas sem sentido... Isso sim, preocupante e alienante.