Jorge Rodrigues, o rapper  MK Nocivo, além de músico é também Dux do seu curso no Instituto Politécnico de Bragança. Cansado do “falatório” sobre a Praxe, o estudante de 28 anos responde às provocações com a sua música “Carta de um Dux”.

“Este é o meu desabafo e a minha opinião sobre o tema PRAXE, como Pessoa, Praxante e Dux do meu curso!  Não generalizem, nem ditem sentenças à Praxe!”, desabafou MK Nocivo ao publicar na sua página do Facebook uma nova música, “Carta de um Dux”.

Em poucas semanas, a canção é já o segundo sucesso nas redes sociais do rapper de Bragança, que em outubro se tornou conhecido com “Soldado da Paz“, a sua homenagem cantada aos bombeiros que perderam a vida no verão passado.

Cansado do “falatório” sobre a Praxe, “onde toda a gente opina”, o rapper aproveita a deixa da provocatória “Carta a um Dux“, um texto dirigido a João Gouveia publicado num blog, para partilhar a sua experiência como praxista e Dux do curso de Línguas para Relações Internacionais do IPB.

MK Nocivo apresenta os seus “sentimentos aos pais das vítimas do Meco”, mas defende que “nem toda a Praxe é igual” e que “a Praxe não pode servir, como um bode expiatório / O que aconteceu foi uma tragédia, mas a culpa não é da Praxe  / É de quem não sabe praxar, são uma vergonha para o Traje“.

Jorge Rodrigues afirma que em Bragança a Praxe é uma forma de integração, salientando a postura do Dux como “um líder”, “uma referência”, e relembrando que “com o traje vem sempre uma dose de responsabilidade”.

O remate da canção é certeiro: “A tragédia aconteceu, devido a ignorância maciça / Só nos resta esperar, que seja feita justiça…”

Leia a letra completa da música:

Estou aqui para ser directo, trago factos e argumentos
Aos pais das vítimas do Meco, apresento os meus sentimentos
Sei o que é amar alguém, e ter nos olhos aquele brilho
Mas não consigo imaginar, a dor de um pai que perde um filho

O meu nome é Jorge Rodrigues, sou frontal e sem truques
Eu também sou filho de alguém, e além de rapper sou Dux
Com orgulho e com pujança, eu fui praxado em Bragança
E foi neste instituto, que depositei a minha confiança

Eu nunca fui maltratado, nunca fui posto de lado
Nem tao pouco exposto a nada, considerado arriscado
Mas aqui fui ensinado, não só pelos professores
Hoje em dia recordo valores, incutidos pelos doutores

Esses mesmo eu tento, passar à próxima geração
A Praxe é um direito, nunca será uma obrigação
A Praxe aqui é integração, que pode mudar a tua vida
Sobretudo a quem se encontra, numa cidade desconhecida

Numa escola nova, povoada por desconhecidos
A Praxe é o primeiro passo, para criar laços afectivos
Aqui não existem humilhações, logo não generalizem
Perguntem a quem aqui passou, e logo verão o que dizem

Aqui há espírito solidário, e sentido de camaradagem
Não há actos violentos, nem actos de vassalagem
Em Bragança compreenderão, a pura praxe académica
Enquanto certos canais, só a destroem com polémica

Onde toda a gente opina, esse falatório é notório
Mas a Praxe não pode servir, como um bode expiatório
O que aconteceu foi uma tragédia, mas a culpa não é da Praxe
É de quem não sabe praxar, são uma vergonha para o Traje

Um DUX é um líder, um DUX é uma referência
Se os caloiros dão a voz, ele tem que dar a consciência
Nem toda a Praxe é igual, essa é a maior verdade
Mas com o traje vem sempre, dose de responsabilidade

A tragédia aconteceu, devido a ignorância maciça
Só nos resta esperar, que seja feita justiça…

Aline Flor, ZAP