SXC

Um estudo da Federação Europeia dos Transportes e Ambiente (FETA) revela que as marcas mentem acerca do consumo dos automóveis, havendo uma diferença cada vez maior entre o que os fabricantes de automóveis indicam e as quantidades que são realmente gastas.

O estudo, intitulado de “Mind The Gap“, defende que a Mercedes é a marca que mais manipula os dados de consumo dos automóveis, com uma diferença acima dos 50% entre o consumo real e o medido em testes de laboratório.

“Este relatório analisa as diferenças entre os testes de laboratório e os dados reais respeitantes às emissões de CO2, assim como os níveis de consumo dos carros”, afirma a organização, para quem o estudo demonstra que o sistema “falhou totalmente”.

Os números de consumo de combustível enganosos custam aos condutores europeus mais 550 euros por ano em contas adicionais, face ao que é publicitado pelas marcas.

Atualmente, os carros europeus gastam em média mais 42% do que aquilo que as marcas anunciam nas publicidades – há três anos era de 28% e há dez anos era de apenas 14%.

“Os novos veículos não são tão eficientes como os fabricantes afirmam. Na estrada, os progressos sobre redução de emissões estão efetivamente parados há quatro anos” explica a FETA, que integra a associação ambientalista portuguesa Quercus.

“Os fabricantes são os responsáveis pelo problema ao usarem lacunas do sistema e, supostamente, em alguns casos, usam ilegalmente material de teste defeituoso”, sublinha.

No relatório, os ambientalistas defendem a necessidade de uma fiscalização, sendo que, no caso da Mercedes, recomendam uma investigação por parte da União Europeia e pela German Type Approval Authority, na Alemanha.

“Vamos pedir às autoridades europeias, nomeadamente a Comissão Europeia (CE), e às autoridades nacionais de homologação de veículos para investigarem este assunto de forma séria e alargada a todos os fabricantes de automóveis”, afirmou o presidente da Quercus, João Branco.

ZAP / Lusa