Mário Cruz / Lusa

Ana Sofia Antunes, ex-presidente da Associação de Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO), é a nova secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência.

A capa do Correio da Manhã que realça que “Costa chama cega e cigano para o Governo” originou revolta nas Redes Sociais e 175 queixas à Entidade Reguladora para a Comunicação Social.

De todos os quadrantes da sociedade saíram críticas à escolha do jornal do grupo Cofina para o título do artigo acerca do novo governo de António Costa, destacando em particular a nomeação dos secretários de Estado Carlos Miguel, filho e neto de ciganos, e Ana Sofia Antunes, cega.

A capa da edição de quinta-feira, 26 de Novembro, começou por gerar polémica nas Redes Sociais e acabou por chegar à Entidade Reguladora para a Comunicação Social, ERC, que confirmou à Lusa ter recebido 175 queixas sobre o caso.

“Estas participações serão analisadas pelos serviços da ERC, no âmbito do processo que será aberto pela entidade”, frisou fonte da ERC à Lusa.

A Comissão da Carteira Profissional de Jornalista recebeu também já uma queixa.

O director do Correio da Manhã, Octávio Ribeiro, já reagiu à onda de indignação no seu editorial

no jornal deste sábado, frisando que “o pior cego é o que não quer ler”.

“O CM disse que uma cega é cega e que um cigano é cigano”, escreve Octávio Ribeiro, notando que os dois secretários de Estado em causa sempre assumiram as suas “condições” e que encontram nelas “um acrescido orgulho pelos seus trajectos”.

Num artigo sobre a nomeação da luso-angolana Francisca Van Dunem como ministra da Justiça, intitulado “De que cor é esta ministra?“, a directora do Público, Bárbara Reis, tinha já defendido que “não faz sentido fazer de conta que não reparámos”.

“Não compreendo os que dizem que é racismo e discriminação noticiar que Van Dunem é negra”, diz Bárbara Reis, realçando que “o mundo reparou que Obama foi o primeiro Presidente negro dos Estados Unidos”.

A jornalista terminava com a ideia de que a “boa notícia” será “quando na Europa deixarmos de notar que no poder não há só brancos”.

ZAP, Lusa