Nuno Veiga / Lusa

O presidente do Chega, André Ventura

Numa entrevista à TVI, André Ventura promete uma campanha diferente das que se tem visto nos últimos anos em Portugal, voltando a atacar as adversárias Ana Gomes e Marisa Matias. Deixou ainda claro que um futuro acordo nacional terá de passar por medidas específicas para a comunidade cigana.

André Ventura recusa as críticas de “oportunismo político” por ter estado presente na manifestação este sábado do sector da restauração, numa altura em que se desdobra em ações de pré-campanha para Belém.

O líder do Chega afirmou que “para nós é fundamental estar ao lado daqueles que consideramos que andam a pagar os impostos e agora se veem desamparados. Nós defendemos os portugueses comuns“.

Ventura disse que foi eleito deputado do Chega porque os “portugueses estão descontentes com o sistema” e que faz questão de participar em manifestações porque “a política se faz na rua”. “Nós não enfrentamos a esquerda se não for na rua, como eles”, garantiu.

O candidato a Belém voltou a atacar as adversárias Ana Gomes e Marisa Matias, afirmando que representam o “pior que o sistema tem” e que se o objetivo era travar a “dita extrema direita” foram na sua opinião a “pior escolha possível”.

Em relação à antiga eurodeputada do PS considerou que representa a “fatia dos que querem viver à conta”, a “voz” daqueles que se encostam ao Estado, referindo-se à comunidade cigana. No que diz respeito a Marisa Matias, acusou o BE de defender a “massificação das drogas” e o “pior para a economia”.

Relativamente à sua campanha, o candidato do Chega prometeu endurecer o discurso face aos seus adversários. “Campanhas fofinhas já tivemos durante 46 anos. Agora é altura de campanhas a sério e discurso duro. Porque é isso que os portugueses querem neste momento. Os portugueses querem verdade, autenticidade, não querem folclore”, rematou.

Questionado sobre as suas metas para as eleições legislativas, Ventura admitiu que não pretende integrar nenhum governo onde o “Chega não tenha capacidade de orientar a política” no país. “Caso contrário, seria engolido. Independentemente do título queremos liderar o Estado em Portugal”, sublinhou.

André Ventura volta a colocar-se como o candidato anti-sistema, que critica a atual Constituição, o sistema de Justiça e o sistema político. O candidato presidencial disse ainda que para integrar ou apoiar um futuro governo nacional isso terá de passar por “resolver de uma vez por todas o problema que milhares, para não dizer milhões, de portugueses têm com a etnia cigana“.

O deputado do Chega referiu que “há um problema, que é conhecido, com a comunidade cigana”, acrescentando que “não há comunidade em Portugal tão subsidiodependente como a comunidade cigana, não há comunidade que tenha tantos problemas com a justiça”.

Sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo – e depois de ter dito à agência Lusa, no fim de semana, que um “casal de homens ou de mulheres não deve ter menos direitos”, André Ventura diz agora que “não deve haver um casamento enraizado entre pessoas do mesmo sexo”. Ou seja, os casais homossexuais “devem ter tendencialmente os mesmos direitos” mas “pode ser uma união civil”.

Já em relação à cláusula sobre os direitos previstos na Constituição – que consta do acordo com o PSD Açores –, o líder do Chega disse não se sentir “minimamente afetado”. “Não vou criar um caso político por causa disso”, assegurou, embora admita estar isolado no Parlamento em relação a algumas matérias, como a castração química para pedófilos.

Ainda sobre o acordo que tem agitado o PSD, mais concretamente sobre a redução do número de deputados e o combate à subsidiodependência, Ventura insistiu que o partido de Rui Rio se comprometeu a cumprir esses dois pontos. “Não deve ser uma coisa assim tão anti-democrática”, destacou.

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