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O furacão Irma já fez oito mortos e deixou 95% da ilha de Sin Marteen totalmente destruída

O número de vítimas mortais na sequência da passagem do furacão Irma na parte francesa da ilha de Saint-Martin, nas Antilhas Pequenas, subiu para oito, segundo as equipas de emergência francesas.

O Irma atingiu ontem as Caraíbas, deixando a ilha de Barbuda totalmente devastada“.  O furacão de categoria 5 causou a destruição da ilha, que tem 1.600 habitantes, que agora “não é mais que um monte de destroços”, como realça o primeiro-ministro de Antígua e Barbuda, Gaston Browne.

A passagem do Irma deixou também a parte francesa da famosa ilha franco-holandesa de Saint-Martin “95% destruída”, disse esta quarta-feira à noite o presidente do conselho territorial local, Daniel Gibbs. A ilha ficou sem eletricidade, água ou telecomunicações.

O responsável pelo departamento de proteção civil, Vicent Boichard, adiantou, esta manhã que o balanço provisório apontava para oito mortos e 23 feridos. Entretanto, uma morte em Anguilla juntou-se a estas e à de uma criança de dois anos, em Barbuda, fazendo subir o número total de vítimas para 10.

O presidente da da Câmara de Guadalupe, Eric Maire, tinha dado conta anteriormente de seis mortos na parte francesa da ilha franco-holandesa de Saint-Martin, nas Antilhas Pequenas, na qual trabalham e residem milhares de portugueses.

A ilha de Saint Martin, também conhecida pelo seu nome holandês, Sint Maarten, é famosa pelo aeroporto de Juliana, junto à praia, que fez a sua primeira vítima mortal em julho, e que terá sido parcialmente destruído pela passagem do Irma.

Segundo reportaram vários utilizadores no Twitter, os terminais de embarque foram derrubados pela chuva e pelas rajadas de vento, que arrancou cercas de segurança,e estruturas metálicas, além de ter lançado grandes quantidades de areia para a pista.

No interior do aeroporto, o salão de check-in foi inundado e as passadeiras de embarque foram danificadas pela tempestade. Partes do edifício colapsaram.

O furacão Irma regista ventos sustentáveis de 295 quilómetros por hora e mantém-se como um ciclone de categoria 5, a máxima na escala Saffir-Simpson.

O furacão deixou para trás esta quinta-feira a ilha de Porto Rico e ameaça agora o noroeste da República Dominicana com ventos até 290 quilómetros por hora, segundo o Centro Nacional de Furacões de Estados Unidos.

De acordo com o Centro, “o olho do Irma deverá chegar na manhã de quinta-feira à República Dominicana e passará mais tarde perto das Ilhas Turcas e Caicos e no sudeste das Bahamas à noite”.

O olho do furacão está a 410 quilómetros este-sudeste da ilha Turca e avança a uma velocidade de 26 quilómetros por hora em direção oeste-noroeste, um movimento que os meteorologistas preveem se mantenha nas próximas 48 horas.

Cristobal Herrera / EPA

com o furacão Irma a dirigir-se para a Florida a corrida aos supermercados cresce, havendo até registo de produtos de primeira necessidade a esgotar. Rick Scott, o governador do estado Florida, já lançou o estado de emergência, apesa de o Irma só atingir aquele estado no sábado.

Três furacões estão a progredir em simultâneo no Oceano Atlântico, depois das tempestades José e Katia passarem a esta categoria, juntando-se assim ao Irma, que se desenvolve na categoria máxima, de 5, segundo o Centro norte-americano de Furacões.

Segundo o Centro norte-americano de Furacões, o furacão José “continua a intensificar-se” no Atlântico com ventos de 140 quilómetros por hora e na direção oeste. Este furacão, de categoria 1, está a 1.485 quilómetros das Antilhas Pequenas e não representa para já uma ameaça. Contudo, espera-se que venha a ganhar força

nas próximas 48 horas.

O furacão Katia está “à deriva” no sudoeste do Golfo do México. Também de categoria 1, o olho do Katia está a 335 quilómetros a este de Tampico e 310 quilómetros a norte-noroeste de Veracruz, no México. O Katia está a avançar a uma velocidade de quatro quilómetros por hora em direção este sudeste e com ventos máximos até 130 quilómetros por hora.

Também no caso deste furacão, o Centro prevê que venha a fortalecer-se nas próximas 48 horas e se aproxime da costa mexicana.

Quatro portugueses retirados de Cayo Coco, em Cuba

Cuba já iniciou a retirada de mais de 36 mil turistas estrangeiros atualmente de férias na costa norte oriental e central, a mais ameaçada pelo furacão Irma, que se deve começar a sentir na sexta-feira, seguindo depois para o estado norte-americano da Florida.

Quatro turistas portugueses que estavam em Cayo Coco, em Cuba, serão na manhã de quinta-feira transportados para o centro de Cuba por uma questão de prevenção, por causa do furacão Irma, revelou o secretário de Estado das Comunidades, José Luis Carneiro.

“Mal amanheça, as autoridades militares cubanas irão transportar quatro portugueses que estavam numa ilha para o centro de Cuba. Estes turistas serão transferidos por uma questão de prevenção“, contou.

De acordo com o secretário de Estado das Comunidades, as autoridades portuguesas foram contactadas na quarta-feira à noite por outros quatro cidadãos portugueses que disseram não ter conseguido contactar familiares seus que se encontram em San Bartolomeu.

José Luis Carneiro salientou a destruição provocada nas ilhas de São Bartolomeu e Martinica pelo furacão. “A comunicação e eletricidade naquela região falhou, pelo que as comunicações estão mais dificultadas”, afirmou. De acordo com os dados dos serviços consulares, estão domiciliados na região 250 portugueses em São Bartolomeu e mais 50 em Martinica.

O responsável explicou que as autoridades portuguesas conseguiram “acionar a cooperação com o gabinete de crise dos serviços franceses e articular resposta com a representação consular da Suécia naquela região” e desde quarta-feira estão também a trabalhar em conjunto com o gabinete de resposta de emergência da União Europeia.

De acordo com o governante, a Secretaria de Estado da Defesa tem o adido militar em Washington a “preparar e acautelar todos os eventuais efeitos que possam ser produzidos na Florida, em Miami, onde há milhares de portugueses”.

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