A Câmara de Lisboa (CML) fez um ajuste direto com António Mega Peixoto, filho do blogger de José Sócrates, António Peixoto, no valor de 123 mil euros.

Segundo escreve o Correio da Manhã esta segunda-feira, o assessor de Fernando Medina vai receber uma avença mensal de 3752,50 euros durante quase três anos.

Mega Peixoto tinha já sido contratado pela CML em 2015 e 2017, tendo exercido funções como prestador de serviços na área da assessoria política, observa o diário, que dá conta que nesses anos o assessor recebeu avenças de 58 mil e 136 mil euros, respetivamente.

António Peixoto e o filho estão a ser investigados pelo Ministério Público por suspeitas de falsificação, no âmbito de uma certidão retirada do processo da Operação Marquês.

Durante dez anos, noticia o matutino, Mega Peixoto recebeu 3550 euros mensais do antigo ministro José Sócrates. De acordo com o Correio da Manhã, este dinheiro destinava-se ao pai do assessor que, entre 2005 e 2015, foi autor, sob o pseudónimo de Miguel Abrantes, do blogue Câmara Corporativa, no qual escrevia opiniões favoráveis sobre José Sócrates e atacava os seus opositores.

“[Abrantes] redigia e publicava nesse blogue textos nos quais veiculava as posições pessoais de José Sócrates, de acordo com os interesses políticos deste”, lê-se no despacho do Ministério Público.

Tal como recorda o Observador, António Peixoto era funcionário na Câmara Municipal de Oeiras quando, alegadamente, terá recebido dinheiro do antigo primeiro-ministro. Por isso, e tendo em conta que estava sob um regime de exclusividade na autarquia, terá recorrido a um contrato de prestação de serviços em nome do seu filho.

Na próxima sexta-feira, António Mega Peixoto e António Peixoto serão ouvidos em tribunal pelo juiz de instrução Ivo Rosa. Ambos foram arrolados como testemunhas de Rui Mão de Ferro, que é arguido no âmbito deste processo. Rui Mão de Ferro terá sido o intermediário entre José Sócrates e António Peixoto.

A Operação Marquês, cuja fase de instrução arrancou na última semana de janeiro, culminou na acusação a um total de 28 arguidos – 19 pessoas e 9 empresas – e está relacionado com a prática de quase 200 crimes de natureza económico-financeira.

O antigo ministro José Sócrates, que chegou a estar preso preventivamente durante dez meses e depois em prisão domiciliária, está acusado de três crimes de corrupção passiva de titular de cargo político, 16 de branqueamento de capitais, nove de falsificação de documentos e três de fraude fiscal qualificada.

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