Só no primeiro trimestre deste ano, a GNR já registou 71 vítimas de ataques com cães perigosos. Na terça-feira, uma menina de quatro anos foi atacada por um rottweiler, estando em situação “estável”. O dono do cão ficou sujeito a Termo de Identidade e Residência e diz que já pediu desculpas ao pai da criança.

Segundo os dados da GNR, a que o Expresso teve acesso, os ataques de cães perigosos fizeram 71 vítimas no primeiro trimestre deste ano. No ano de 2016, foram registadas 284 vítimas, ou seja, em apenas 15 meses, registou-se um total de 355 vítimas.

Convém lembrar, como destaca o semanário, que a estes dados falta ainda juntar os da PSP, pelo que o número poderá ainda aumentar.

Casos como o rottweiler que, esta terça-feira, mordeu uma criança em Matosinhos começaram a ser contabilizados pelas autoridades há dez anos, havendo mesmo casos em que estes cães mataram crianças. O jornal recorda, por exemplo, o caso de “Zico”, um cão arraçado de pitbull que matou um bebé de 18 meses, em 2013, no distrito de Beja.

A menina de quatro anos, que foi levada para o Hospital São João, no Porto, fez uma “cirurgia reconstrutiva” e, neste momento, a sua condição é “estável”. No entanto, espera-lhe um processo de recuperação “longo e difícil”.

Dono do cão já pediu desculpas

Esta quarta-feira, o dono do cão foi ouvido pelo Ministério Público e saiu em liberdade, ficando apenas sujeito a Termo de Identidade e Residência (TIR).

Em declarações ao Jornal de Notícias, o dono do cão, Márcio Lourenço, de 24 anos, afirma que passou “toda a noite sem dormir, angustiado pelo estado de saúde da menina” e que já “já pediu desculpas ao pai” da criança.

“Ele estava com a filha e começou a fotografar-me e a gritar por o cão estar solto”, contou o jovem ao jornal, acrescentando que exigiu ao pai da menor que apagasse as fotos e, como este recusou, envolveram-se fisicamente.

“A situação pôs o cão excitado. Prendi-o, mas quando a menina começou aos gritos, ele ficou agressivo e não consegui segurá-lo“, recorda ao JN.

Depois do ataque, diz que não fugiu do local, mas que a sua “primeira reação foi tirar o cão” dali, porque “a situação tornou-se de repente dramática, com muita gente a gritar e a correr de um lado para outro”, aumentando ainda mais a agressividade do animal.

“O importante era tirar de lá o cão, para que pudessem prestar socorro à menina”, declara.

Os médicos do São João estão também a considerar “operar o braço esquerdo” da mãe da menina, que terá sido mordida “quase até ao osso”.

Autoridades não formaram ainda um único dono

A GNR e a PSP, responsáveis pela formação dos detentores de cães perigosos, ainda não deram um único curso porque os valores a pagar apenas ficaram definidos mais de um ano depois da portaria que lhes atribuiu as funções.

Numa resposta enviada à agência Lusa, a GNR diz que, através do Grupo de Intervenção Cinotécnico, da Unidade de Intervenção, tem vindo a produzir vários conteúdos em sede do grupo de trabalho constituído para o efeito (GNR, PSP e Direção Geral de Alimentação e Veterinária [DGAV]), como o Regulamento da Certificação de Treinadores de Cães Perigosos e Potencialmente Perigosos.

Na mesma resposta, a GNR adianta ainda que “o início da certificação de treinadores e da formação de detentores de cães potencialmente perigosos está prevista para breve, sendo que esta data será divulgada pela DGAV”.

A portaria que define as entidades competentes para certificar treinadores de cães perigosos e potencialmente perigosos foi publicada em 2015, mas não era clara quanto aos valores a pagar pela formação. Tais valores só ficaram definidos em portaria no passado mês de janeiro. Foi esta discrepância de tempo que fez com que nem a GNR nem a PSP tivessem ainda avançado com qualquer formação.

Os dados da DGAV, divulgados em agosto de 2015, indicavam que estavam registados 19.382 cães de raça potencialmente perigosos e 1.606 cães perigosos.

Segundo a lei, a GNR e a PSP são as entidades competentes para certificar os treinadores de cães perigosos. Além de certificarem quem estará apto a treinar estes cães, as duas entidades “devem igualmente ministrar a formação exigida aos detentores de cães perigosos e potencialmente perigosos”, segundo a portaria publicada em 2015.

Isto porque apenas as pessoas com formação específica podem ter cães perigosos (com histórico de violência) ou potencialmente perigosos (devido às suas características físicas), segundo um diploma publicado há cerca de quatro anos.

A raça rottweiler pertence à lista de cães considerados perigosos, às quais se junta ainda o cão de fila brasileiro, o dogue argentino, o pit bull terrier, o staffordshire terrier americano, o staffordshire bull terrier e o tosa inu.

[sc name=”assina” by=”ZAP” url=”” source=”Lusa” ]