O Burundi quer pedir uma compensação de 43 mil milhões de dólares à Alemanha e à Bélgica por crimes contra a humanidade cometidos durante o domínio colonial em terras africanas, entre 1896 e 1962.

De acordo com o portal Atlanta Black Star, que avança a noticia, o Presidente do Senado do Burundi, Reverien Ndikuriyo, reuniu-se com um painel de especialistas para avaliar os danos causados durante o período e para perceber o valor que deverá ser pedido.

O valor inicial a que o conselho chegou ascende aos 43 mil milhões de dólares.

Além da compensação monetária, o país pede também que os países europeus façam um pedido público de desculpas, no qual mencionem o trabalho forçado que infligiram ao povo do Burundi, bem como as “punições cruéis, degradantes e desumanas” que foram aplicadas na época e que incluíram chicotadas e períodos de prisão.

O Burundi pede ainda à Bélgica que devolva objetos roubados do país entre 1899 e 1962.

No início do século XX, Alemanha e Bélgica ocuparam parte do território africano, e o Burundi e o Ruanda tornaram-se num colónia apelidada de Ruanda-Urundi.

Em 1962, o Burundi alcançou a independência e foi restaurado como uma monarquia tutsi, sendo depois proclamada república em meados de 1966. Durante a era colonial, o fosso entre os grupos Hutu e Tutsi foi agudizado, levando à Guerra Civil do Burundi, que durou 12 anos (1993-2005) e matou 300.000 pessoas.

A Bloomberg nota que a ação do Senado do Burundi parece seguir os passos da República Democrática do Congo: no fim de junho, o rei Filipe da Bélgica pediu desculpa pelos “atos de crueldade” perpetrados pelo seu país contra milhões de pessoas em África.

Expressando “o maior arrependimento”, o monarca europeu lamentou os excessos cometidos durante o período colonial do Congo, que entre 1885 e 1960 foi inicialmente controlado pela coroa, sendo depois controlado pelo Estado belga.

Depois do pedido oficial de desculpas, o Ministro dos Direitos Humanos da República Democrática do Congo, Andre Lite, pediu uma compensação.

“O arrependimento de alguns funcionários belgas nunca será o suficiente face à sua obrigação de indemnizar as vítimas da colonização e os seus familiares. É contraditório ou ilógico alegar fazer parte de um Estado respeitador e fingir nada sobre crimes graves cometidos no passado”, disse o governante.

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