Nuno Fox / Lusa

A ministra da Saúde, Marta Temido

O Serviço Nacional de Saúde (SNS) apresentava um défice de 559,6 milhões de euros até Outubro passado. Um valor que fica muito longe dos 90 milhões de euros que o Governo estimava, depois de ter reforçado as verbas para o sector com transferências do Orçamento do Estado de 612 milhões de euros. O problema é que a despesa também aumentou.

Está em causa um desvio de 469,6 milhões de euros entre o que o Governo previa e a realidade das contas do SNS, como reporta o Eco.

Apesar do reforço de verbas, o buraco no SNS parece continuar a aumentar depois de em 2018, ter sido de 375,9 milhões de euros até Outubro. No final do ano passado, o défice do SNS chegou aos 848 milhões de euros e o deputado do PSD, Álvaro Almeida, já veio alertar que é provável que, no final de 2019, chegue aos 1.000 milhões de euros.

O problema parece ser o crescimento da despesa, como analisa o Eco com base em números da Direcção-Geral do Orçamento (DGO) que indicam que esta cresceu 6,5% até Outubro, ou seja, “o dobro do previsto no Orçamento”. A “despesa com pessoal aumentou 8,6%, 2,6 vezes acima do projectado

no Orçamento”, explica o Eco, evidenciando ainda um aumento nos gastos com a aquisição de bens e serviços, designadamente com meios complementares de diagnóstico e produtos vendidos em farmácias.

Por outro lado, também se verificou um aumento nas dívidas a fornecedores que se situam nos 735,1 milhões euros.

Perante a situação do SNS e os diversos problemas que se têm verificado, nomeadamente com o fecho de urgências pediátricas, o Bloco de Esquerda já veio propor uma transferência de mais 800 milhões de euros. Mas a ministra da Saúde alerta que nunca houve um reforço de valor tão elevado e lembra que é preciso que Mário Centeno, o ministro das Finanças, o permita.

Marta Temido já disse que haverá mais dinheiro para a Saúde no Orçamento de Estado para 2020, mas também tem vincado que o problema do SNS não é o dinheiro e que é preciso garantir maior eficiência e produtividade.

“Preocupa-nos muito também a gestão eficiente dos impostos de todos, dos dinheiros públicos, e uma luta contínua pela melhoria da eficiência e produtividade do próprio SNS”, salienta a ministra que lembrou que, na anterior legislatura, o Governo transferiu 1.400 milhões de euros para o SNS.

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