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O ministro das Finanças, Mário Centeno

A Comissão Europeia considera que Portugal não tem margem suficiente para estimular a economia no curto prazo e, ao mesmo tempo, assegurar a sustentabilidade das contas públicas no médio e no longo prazo.

No relatório anual sobre as contas públicas dos Estados-membros – a primeira posição oficial de Bruxelas sobre os planos do novo governo do Partido Socialista -, a Comissão Europeia coloca Portugal no grupo de países onde a estratégia de estímulo à economia entra em conflito com a consolidação das contas públicas.

O Diário Económico descreve que os técnicos da CE analisaram a margem de manobra orçamental dos vários países europeus para perceberem a capacidade para estes responderem à necessidade de estabilização macroeconómica no imediato, sem comprometer a estabilização das contas públicas e da dívida.

Enquanto países como Alemanha, Holanda e Espanha têm capacidade para avançar com políticas de estímulo económico e ao mesmo tempo manter o equilíbrio nas contas públicas, em outros países – como a Grécia, Portugal e, em menor dimensão, a Áustria – estes objetivos entram em “conflito”. Por fim, países como Itália estão num meio termo, conseguindo conciliar estas políticas com uma ginástica maior.

O ministro das Finanças, Mário Centeno, enviará em janeiro a primeira versão do Orçamento do Estado para 2016 para Bruxelas, e a avaliação da Comissão Europeia será divulgada semanas depois. As conclusões do relatório sugerem eventuais dificuldades na negociação entre Lisboa e Bruxelas.

O primeiro-ministro, refere o Económico, tem vincado a necessidade de “virar a página da austeridade”, e entre os autores do programa económico do PS há a convicção de que o ambiente na Europa está a mudar para uma orientação menos focada na disciplina e mais orientada para o crescimento.

ZAP