Valdis Dombrovskis

Valdis Dombrovskis, vice-presidente da Comissão Europeia responsável pelo Euro

O vice-presidente da Comissão Europeia responsável pelo Euro, Valdis Dombrovskis, considerou esta quinta-feira que o impacto da operação de capitalização do Novo Banco no défice de 2014 é uma questão meramente contabilística e que não exige medidas orçamentais compensatórias.

Numa declaração à Lusa, um dia depois de o Instituto Nacional de Estatística ter revelado que a capitalização do Novo Banco fez o défice orçamental de 2014 subir para 7,2% do PIB (contra os 4,5% reportados anteriormente), Valdis Dombrovskis salientou que se trata de uma operação conduzida no ano passado, que é contabilizada somente agora devido às regras estatísticas comuns da UE, mas que “não tem consequências no défice e na dívida de 2015” nem afeta a trajetória de correção do défice excessivo.

Apontando que a situação não é única no sentido em que, “durante a crise, vários Estados-membros — Espanha, Portugal, mas também outros – tiveram de investir dinheiro público para recapitalizar bancos”, o comissário considerou todavia que o impacto da operação é “pontual” e limitado ao ano passado, uma ideia que uma porta-voz da Comissão já transmitira à Lusa na véspera.

“Não tem consequências no défice e na dívida de 2015 nem no esforço estrutural em 2014 e 2015, o que constitui um parâmetro chave para a avaliação do cumprimento das regras orçamentais da UE. Por outras palavras, trata-se de uma questão meramente contabilística e não afeta o trajeto de Portugal de correção do défice excessivo nem exige medidas compensatórias”, considerou o vice-presidente do executivo comunitário.

Estas declarações vão de encontro ao que Passos Coelho disse esta quarta-feira sobre os dados divulgados pelo INE.

O atual primeiro-ministro considerou a situação do Novo Banco como um “reporte estatístico”

que não tem qualquer impacto sobre a dívida portuguesa.

“Trata-se de uma contabilização estatística que não tem qualquer efeito no nosso dia-a-dia. Quando o Novo Banco vier a ser vendido e se ajustarem as contas relativamente ao Fundo de Resolução e o Estado receber os 3,9 mil milhões de euros, isso também não terá nenhum efeito na nossa dívida nem no nosso défice, terá apenas um impacto estatístico”, afirmou o primeiro ministro, citado pela TSF.

Já a oposição considera que este é um verdadeiro falhanço e quer que a coligação explique “de que serviram a austeridade e os sacrifícios” se o défice está “praticamente nos mesmos níveis de 2011”, noticia o Económico.

O líder do PS, António Costa, acusou mesmo Passos de ter apresentado um programa eleitoral “fantasioso e aventureirista”, dizendo que mentiu aos portugueses quando disse que estes não seriam prejudicados pela situação do Novo Banco.

Na quarta-feira, o INE divulgou também que o défice orçamental atingiu 4,7% do PIB no final do primeiro semestre de 2015, um valor superior à meta de 2,7% estabelecida pelo Governo para a totalidade do ano.

Portugal comprometeu-se a reduzir o seu défice para valores abaixo dos 3% até final de 2015 e, desse modo, sair do procedimento por défice excessivo.

ZAP / Lusa