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Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia

A Comissão Europeia defende que a subida do salário mínimo nacional terá um “impacto negativo” no nível de desemprego de longa duração e insiste que Portugal precisa de mais medidas de austeridade.

O documento da terceira avaliação do pós-programa de ajustamento, divulgado em Bruxelas, refere que o facto de o Governo ter avançado com um aumento do Salário Mínimo de 505 para 530 euros em janeiro de 2016 e de “pretender aumentar progressivamente o salário mínimo até 600 euros por mês em 2019 (pago 14 vezes por ano)” não estão alinhados com o cenário macroeconómico em termos de inflação, desemprego e crescimento da produtividade.

“As perspetivas de redução da persistente proporção de desempregados de longa duração não estão a melhorar, à luz das novas subidas do salário mínimo”, alerta a instituição no relatório sobre a terceira avaliação do pós-troika, citado pelo Diário de Notícias.

A Comissão Europeia reitera que “os aumentos recentes e planeados não parecem alinhados com a evolução macroeconómica em termos de inflação, desemprego e crescimento global da produtividade” e lembra que “em 2014 quase 42% dos trabalhadores tinha um rendimento mensal inferior a 600 euros”.

O relatório de Bruxelas refere que “a medida é particularmente prejudicial para a empregabilidade dos trabalhadores pouco qualificados, cujas perspetivas laborais já são sombrias“, salientando “as taxas de crescimento do emprego trimestrais continuamente negativas”, quando comparado este grupo com o que tem qualificações médias e altas.

De acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística, referidos pelo DN, o desemprego de longa duração (pessoas à procura de trabalho há 12 meses ou mais) subiu de forma pronunciada entre 2011 e 2013, mas depois começou a baixar.

No entanto, em 2015, esse grupo de desempregados crónicos abarcava ainda 410,7 mil pessoas, mais 44,7 mil do que em 2011.

A par disso, a taxa de desemprego de longa duração subiu ligeiramente no último trimestre do ano passado, para 7,6% da população ativa.

Reverter medidas

Para além de uma alteração no plano de subida do salário mínimo, a Comissão Europeia critica a reversão do negócio da TAP – “A recuperação do controlo de 50% da companhia de aviação pode aumentar os riscos orçamentais, incluindo um risco de litígio” -, o “alto endividamento público e privado” e a “rigidez no mercado de trabalho”.

A CE exige o equivalente a 0,6% do PIB (potencial) em cortes permanentes no défice público (estrutural), enquanto o Governo de iniciativa socialista pretendia cortes estruturais na ordem dos 0,1% ou 0,2% do PIB.

“Permanece um risco de desvio significativo do esforço recomendado”, avisa a Comissão na terceira avaliação pós-programa de ajustamento.

A equipa de avaliadores mostra muitas dúvidas relativamente a medidas como os “ganhos de eficiência” na despesa, a redução da semana de trabalho dos funcionários para 35 horas e a devolução da sobretaxa e dos cortes de salários e pensões.

Os parceiros europeus pedem ao executivo que as reverta estas medidas. A flexibilização laboral, uma das armas clássicas dos programas de ajustamento, é aliás uma das recomendações de Bruxelas para compensar a diferença entre a austeridade do Governo português e a austeridade necessária.

ZAP